Manifestos Quilombolas: desta terra, nesta terra, para esta terra
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Resumo
O trabalho de pesquisa que vem sendo realizando desde 2015 tem como objetivo problematizar a produção de uma comunidade quilombola no Brasil em suas dimensões éticas, estéticas, políticas e econômicas, tendo em vista uma perspectiva espacial, denominada na tese de topogênese. Para tanto, parte-se primeiramente de uma experiência antropológica realizada na Comunidade de Remanescentes de Quilombo do Mandira, situada no interior do estado de São Paulo. No desenvolvimento da pesquisa, apresenta-se um estudo que visa evidenciar a relação do quilombo com a terra como afirmação de uma ética, estética, política e economia da circularidade e da diferença. A obra da historiadora brasileira Beatriz Nascimento é central na articulação epistemológica de toda a tese, tendo como foco a problematização das caracterizações elaboradas pela autora para conceituar o quilombo como uma instituição africana e como uma prática política. Tendo isto em vista, o quilombo é considerado como um espaço aberto ao Outro, constituindo uma política da relação que envolve a autotransfiguração de si pelo Outro, em vez de uma assimilação ou negação da diferença. Por outro lado, situa-se uma racionalidade que efetua as relações de poder que configuram a constituição de uma subjetividade cindida pelo autoritarismo e dependência. Denominada de racionalidade colonial, ela não é evidenciada apenas como uma maneira de estabelecimento econômico da colônia, mas, sobretudo, como um modelo de governamentalidade, ou seja, da produção de uma forma de governo das mentes, dos corpos e contiguamente da terra. Face a esta governamentalidade colonial, o quilombo então é situado como uma organização social que visa a dissipação das políticas de fronteirização empreendidas por esta racionalidade. A experiência antropológica na comunidade quilombola do Mandira é assumida neste exercício crítico frente às topologias coloniais conservadas em nossa contemporaneidade. Do mesmo modo, ela é utilizada dentro da dimensão crítica das relações de poder que atravessam nossas relações intersociais, marcando a emergência de problematizar os dinamismos espaciais brasileiros, bem como a racionalidade que os fecundam. Desse modo, o quilombo é assumido como um conceito que tem por princípio a invenção e a diferença como efetuação de uma prática emancipadora do colonialismo contemporâneo. Sua relação cosmológica com a terra é evidenciada como constituinte de uma cultura compósita que tem a terra como sua dimensão existencial, em oposição às culturas atávicas que têm a terra como uma conquista a ser explorada.
Dados da obra
- Tipo
- Tese (doutorado)
- Instituição
- UNESP
- Ano
- 2021
- Idioma
- pt
- Palavras-chave
- Filosofia política brasileira; Comunidades quilombolas; Cosmovisão quilombola; Educação matemática; Philosophie politique brésilienne; Communautés quilombolas; Cosmovision des Quilombos; Éducation mathématique; Brazilian political philosophy; Quilombola communities; Quilombola cosmovision; Mathematics education
- Handle
- http://hdl.handle.net/11449/215015
- Acesso
- Texto completo na fonte
- Fontes
- BDTD/IBICT
- Na Biblioteca desde
- 01/10/2026 · verificada em 03/10/2026
Como citar
ABNT
GONDIM, Diego de Matos. Manifestos Quilombolas: desta terra, nesta terra, para esta terra. 2021. Tese (Doutorado) – UNESP, 2021. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/215015. Acesso em: 5 nov. 2026.
APA
Gondim, D. d. M. (2021). Manifestos Quilombolas: desta terra, nesta terra, para esta terra [Tese de doutorado, UNESP]. http://hdl.handle.net/11449/215015
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