MatLabG · Experiência

Do gráfico de f ao gráfico de f′

A derivada como função: inclinações que viram alturas, bicos que viram lacunas.

Relação com o Laboratório Virtual G

Teoria e experimentação: explorar todos os vínculos

Pergunta científica

Que informação sobre f o gráfico de f′ registra em cada x — e que informação ele não registra?

Execução restrita

Seis funções para ler a derivada como uma nova função: a parábola com vértice em (2, 1), a cúbica x³ − 3x, a translação x² + 3, o módulo |x² − 1|, a função crescente x³ e |x| no intervalo [−1, 1]. Antes de ver os gráficos, você responde a perguntas que separam altura de inclinação — quanto vale f′ no vértice? quantos zeros tem f′? a translação muda a derivada? onde f′ não existe? uma função crescente pode ter derivada nula? uma taxa média nula obriga a derivada a se anular? Depois move x₀ e vê o gráfico de f′ nascer, ponto a ponto, das inclinações das tangentes, num segundo painel com a mesma escala horizontal.

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Conexões com a realidade e com outras áreas

Cada conexão traz uma aplicação resolvida: a situação, o modelo, o cálculo passo a passo e uma leitura crítica do resultado. Mude os dados para recalcular.

  • Física

    Do gráfico da posição ao gráfico da velocidade

    Num movimento retilíneo, a velocidade é a derivada da posição. Onde o gráfico s(t) sobe, v(t) > 0; onde ele tem tangente horizontal, o móvel está momentaneamente parado; onde ele desce, o móvel volta. Ler um gráfico de posição como se fosse de velocidade (confundir altura com inclinação) é um erro clássico de laboratório.

    Fonte: [1]

    Como usar: aplicação resolvida

    Um carrinho num trilho tem posição s(t) = t³ − (3/2)(t₁ + t₂)t² + 3t₁t₂·t (metros, t em segundos). Em que instantes ele para, e em que sentido se move num instante t dado?

    Modelo: v(t) = s′(t) = 3t² − 3(t₁ + t₂)t + 3t₁t₂ = 3(t − t₁)(t − t₂): o gráfico de v registra a inclinação do gráfico de s.

    Dados — altere para recalcular
    1. s(2) = 2 m.
    2. v(t) = 3(t − 1)(t − 3); v(2) = −3 m/s.
    3. v < 0 entre 1 s e 3 s; v > 0 antes de 1 s e depois de 3 s.

    Resultado: Em t = 2 s, o carrinho recua (s decresce); a altura s(t) = 2 m não diz isso; a inclinação, sim.

    Leitura crítica: A posição pode ser positiva enquanto o carrinho recua, e negativa enquanto avança: o sentido do movimento é o sinal da derivada, não o da função. O modelo cúbico é escolhido para ter paradas em t₁ e t₂; um movimento real tem atrito e limites de velocidade.

  • Química

    Velocidade de uma reação

    Numa reação de primeira ordem, a concentração do reagente decai como [A](t) = [A]₀e^(−kt). A velocidade instantânea de consumo é −d[A]/dt = k[A]: o gráfico da derivada tem o mesmo formato que o da concentração, com sinal trocado e fator k. A meia-vida ln 2/k não depende de [A]₀.

    Fonte: [2]

    Como usar: aplicação resolvida

    Numa reação de primeira ordem, a concentração do reagente A é [A](t) = [A]₀·e^(−kt). Qual é a velocidade de consumo de A num instante t, e qual é a meia-vida?

    Modelo: d[A]/dt = −k[A]₀e^(−kt) = −k[A]; velocidade de consumo: −d[A]/dt = k[A]; meia-vida t½ = ln 2 / k.

    Dados — altere para recalcular
    1. [A](30) = 0,5 · e^(−0,02 · 30) ≈ 2,744 × 10⁻¹ mol/L.
    2. d[A]/dt = −k[A] ≈ −5,488 × 10⁻³ mol/(L·s).
    3. Meia-vida: ln 2 / k ≈ 34,66 s.

    Resultado: Em t = 30 s, A é consumido a ≈ 5,488 × 10⁻³ mol/(L·s); a concentração cai à metade a cada ≈ 34,66 s.

    Leitura crítica: O gráfico da derivada tem o formato do gráfico de [A], com sinal trocado e fator k: a velocidade diminui à medida que o reagente acaba. A meia-vida não depende de [A]₀. O modelo vale para reações de primeira ordem, a temperatura constante.

Referências

  1. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física: mecânica. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. v. 1.
  2. ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
  3. STEWART, J. Cálculo. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. v. 1.
  4. GUIDORIZZI, H. L. Um curso de cálculo. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001. v. 1.
  5. ASIALA, M.; COTTRILL, J.; DUBINSKY, E.; SCHWINGENDORF, K. E. The development of students' graphical understanding of the derivative. The Journal of Mathematical Behavior, Amsterdam, v. 16, n. 4, p. 399-431, 1997.
  6. ZANDIEH, M. A theoretical framework for analyzing student understanding of the concept of derivative. In: DUBINSKY, E.; SCHOENFELD, A. H.; KAPUT, J. (ed.). Research in collegiate mathematics education IV. Providence: American Mathematical Society, 2000. p. 103-127.

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