MatLabG · Experiência
Das secantes à tangente: quando a derivada existe
Aproxime Q de A pelos dois lados e decida: a derivada existe? Quanto vale? Por quê?
Relação com o Laboratório Virtual G
Teoria e experimentação: explorar todos os vínculosPergunta científica
O que garante que as secantes por A se aproximam de uma única reta não vertical — e por que nem a continuidade nem a ausência de bico bastam?
Execução restrita
Nove funções para separar o que a derivada é do que ela parece ser: a parábola e a hipérbole, em que as secantes giram até a tangente; |x|, com derivadas laterais diferentes; x·|x|, dada por duas fórmulas e derivável; ∛x, com tangente vertical e sem bico; ∛(x²), com tangente vertical e cúspide; x·sen(1/x), contínua e sem derivada; x²·sen(1/x), com derivada nula apesar das secantes oscilantes; e a parte inteira, descontínua. Antes de ver o gráfico, você registra se f′(a) existe, quanto vale e qual fato sustenta a resposta; depois aproxima Q = (a + h, f(a + h)) de A pela esquerda e pela direita, com |h| de 1 a 10⁻⁶, e compara os quocientes dos dois lados. O programa procura um h que contrarie a conjectura.
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Conexões com a realidade e com outras áreas
Cada conexão traz uma aplicação resolvida: a situação, o modelo, o cálculo passo a passo e uma leitura crítica do resultado. Mude os dados para recalcular.
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Computação científica
Derivada numérica: o h que não pode ser pequeno demais
Programas de simulação estimam derivadas por [f(x + h) − f(x)]/h. Com h grande, a secante se afasta da tangente (erro de truncamento, proporcional a h); com h pequeno demais, f(x + h) e f(x) quase iguais são subtraídos em ponto flutuante (erro de arredondamento, proporcional a ε/h). O melhor h equilibra os dois, perto de √ε.
Como usar: aplicação resolvida
Um programa estima a derivada de f(x) = eˣ em x₀ pela secante [f(x₀ + h) − f(x₀)]/h. Qual é o erro para um h dado, e por que diminuir h demais piora o resultado?
Modelo: Erro de truncamento ≈ (h/2)·|f″(x₀)| = (h/2)·e^(x₀); erro de arredondamento ≈ 2ε·|f(x₀)|/h, com ε = 2⁻⁵²; h ótimo ≈ 2√ε para esta f (em que |f| = |f″|).
- h = 10⁻⁸; f′(x₀) = e^1 ≈ 2,718282.
- Secante: [e^(x₀ + h) − e^(x₀)]/h ≈ 2,7182818219; erro observado: ≈ 6,6 × 10⁻⁹.
- Estimativas: truncamento ≈ 1,36 × 10⁻⁸; arredondamento ≈ 1,21 × 10⁻⁷.
- h ótimo ≈ 2√ε ≈ 3 × 10⁻⁸, com erro total da ordem de ≈ 8,1 × 10⁻⁸.
Resultado: Com h = 10⁻⁸, o erro é ≈ 6,6 × 10⁻⁹: domina o arredondamento (h pequeno demais).
Leitura crítica: A derivada é um limite, mas o computador não faz h → 0: ele subtrai números quase iguais com cerca de 16 algarismos significativos. Abaixo do h ótimo, a estimativa do erro de arredondamento (a envoltória 2ε|f|/h) cresce quando h diminui: essa é a tendência. O erro observado depende dos arredondamentos e cancelamentos de cada conta e pode ficar igual, ou até diminuir, entre um h e o seguinte; as estimativas dão a ordem de grandeza, não o valor exato do erro.
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Economia
Custo marginal
Se C(q) é o custo de produzir q unidades, o custo da unidade seguinte é C(q + 1) − C(q), uma taxa média com h = 1. O custo marginal C′(q) é a taxa instantânea; para produções grandes, as duas quase coincidem, e a derivada é mais simples de calcular e de analisar.
Fonte: [3]
Como usar: aplicação resolvida
Uma fábrica tem custo C(q) = F + c·q + d·q² (reais) para produzir q unidades. Quanto custa produzir a unidade seguinte, e quanto vale o custo marginal C′(q)?
Modelo: Custo da unidade seguinte: C(q + 1) − C(q) = c + d(2q + 1) (taxa média com h = 1). Custo marginal: C′(q) = c + 2dq. Diferença: exatamente d.
- C(500) = R$ 17.500,00; C(501) = R$ 17.530,01.
- Unidade seguinte: C(q + 1) − C(q) ≈ R$ 30,01.
- Custo marginal: C′(q) = c + 2dq = 20 + 2 · 0,01 · 500 = R$ 30,00 por unidade.
- Diferença entre as duas: ≈ R$ 0,01, que é d a menos de arredondamento.
Resultado: Produzir a unidade 501 custa ≈ R$ 30,01; o custo marginal é R$ 30,00 por unidade.
Leitura crítica: A taxa média com h = 1 e a derivada diferem por d, que é pequeno diante de c + 2dq quando a produção é grande. O modelo quadrático é uma idealização: custos reais têm degraus (turnos, máquinas) em que a derivada nem existe.
Referências
- GOLDBERG, D. What every computer scientist should know about floating-point arithmetic. ACM Computing Surveys, New York, v. 23, n. 1, p. 5-48, 1991.
- BURDEN, R. L.; FAIRES, J. D. Análise numérica. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008.
- LARSON, R. Calculus: an applied approach. 9. ed. Boston: Brooks/Cole, Cengage Learning, 2013.
- STEWART, J. Cálculo. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. v. 1.
- GUIDORIZZI, H. L. Um curso de cálculo. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001. v. 1.
- LIMA, E. L. Análise real: funções de uma variável. Rio de Janeiro: IMPA, 1989. v. 1. (Coleção Matemática Universitária).
- TALL, D.; VINNER, S. Concept image and concept definition in mathematics with particular reference to limits and continuity. Educational Studies in Mathematics, Dordrecht, v. 12, n. 2, p. 151-169, 1981.
- ZANDIEH, M. A theoretical framework for analyzing student understanding of the concept of derivative. In: DUBINSKY, E.; SCHOENFELD, A. H.; KAPUT, J. (ed.). Research in collegiate mathematics education IV. Providence: American Mathematical Society, 2000. p. 103-127.