MatLabG · Experiência
Derivada segunda: a parábola dos três pontos
Três pontos do gráfico, uma parábola e um coeficiente que tende a f″ — quando f″ existe.
Relação com o Laboratório Virtual G
Teoria e experimentação: explorar todos os vínculosPergunta científica
O que a derivada segunda mede, como uma diferença de três valores de f se aproxima dela — e por que essa aproximação não basta para provar que f″ existe?
Execução restrita
Pelos pontos de abscissas a − h, a e a + h do gráfico de f passa um único polinômio de grau no máximo 2 — uma parábola, ou uma reta quando os três pontos estão alinhados; o dobro do coeficiente do seu termo quadrático é a diferença segunda D₂(h) = [f(a + h) − 2f(a) + f(a − h)]/h². Quando f″(a) existe, D₂(h) tende a f″(a) e a parábola se estabiliza. Seis situações: f″(1) para x⁴; a aceleração de um móvel momentaneamente parado; a derivada de ordem 103 do seno, pelo ciclo de período 4; x·|x|, em que D₂ é identicamente nula e f″(0) não existe; |x|, sem derivada primeira em 0; e x⁴ em 0, em que f″(0) = 0 num ponto de mínimo. Com |h| até 10⁻⁸, a prancheta mostra também o cancelamento de ponto flutuante, sinalizado como tal.
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Conexões com a realidade e com outras áreas
Cada conexão traz uma aplicação resolvida: a situação, o modelo, o cálculo passo a passo e uma leitura crítica do resultado. Mude os dados para recalcular.
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Física
Aceleração no movimento harmônico simples
Uma massa presa a uma mola oscila com posição x(t) = A·cos(ωt). A velocidade é x′(t) = −Aω·sen(ωt) e a aceleração, x″(t) = −Aω²·cos(ωt) = −ω²·x(t): a aceleração é proporcional ao deslocamento e de sentido contrário — a segunda lei de Newton com a lei de Hooke.
Fonte: [1]
Como usar: aplicação resolvida
Uma massa presa a uma mola oscila com posição x(t) = A·cos(ωt). Quanto valem a velocidade e a aceleração no instante t, e que relação há entre a aceleração e a posição?
Modelo: x′(t) = −Aω·sen(ωt); x″(t) = −Aω²·cos(ωt) = −ω²·x(t).
- x(0,3) = 0,05 · cos(4 · 0,3) ≈ 0,01812 m.
- v = x′(t) ≈ −0,18641 m/s.
- a = x″(t) ≈ −0,28989 m/s²; −ω²·x ≈ −0,28989 m/s².
Resultado: Em t = 0,3 s, a aceleração é ≈ −0,2899 m/s², igual a −ω²·x: aponta para a posição de equilíbrio (e se anula nela).
Leitura crítica: A aceleração é máxima em módulo nos extremos (x = ±A), onde a velocidade é nula, e nula no equilíbrio, onde a velocidade é máxima: velocidade nula não implica aceleração nula. O modelo despreza o atrito.
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Computação científica
Diferença segunda: truncamento contra arredondamento
Simulações de vigas, ondas e calor aproximam f″ por D₂(h). O erro de truncamento é da ordem de h²·|f⁽⁴⁾|/12; o de arredondamento, de 4ε·|f|/h². O h ótimo equilibra os dois e é da ordem de ε^(1/4) ≈ 10⁻⁴ para funções de tamanho moderado — bem maior do que o h ótimo de uma derivada primeira.
Como usar: aplicação resolvida
Uma simulação aproxima f″(x₀) por D₂(h) = [f(x₀ + h) − 2f(x₀) + f(x₀ − h)]/h², com f(x) = eˣ. Qual é o erro para um h dado, e qual é o h ótimo?
Modelo: Truncamento ≈ h²·|f⁽⁴⁾(x₀)|/12 = h²e^(x₀)/12; arredondamento ≈ 4ε·|f(x₀)|/h²; h ótimo ≈ (48ε)^(1/4) quando |f| = |f⁽⁴⁾|.
- f″(x₀) = e^0 = 1; h = 10⁻⁴.
- D₂(h) ≈ 1,00000001; erro observado: ≈ 5,02 × 10⁻⁹.
- Estimativas: truncamento ≈ 8,33 × 10⁻¹⁰; arredondamento ≈ 8,88 × 10⁻⁸.
- h ótimo ≈ (48ε)^(1/4) ≈ 3,2 × 10⁻⁴.
Resultado: Com h = 10⁻⁴, o erro é ≈ 5,02 × 10⁻⁹: domina o arredondamento.
Leitura crítica: A diferença segunda divide por h², por isso a estimativa do erro de arredondamento (a envoltória 4ε|f|/h²) cresce muito mais depressa que na derivada primeira, e o h ótimo (da ordem de 10⁻⁴) é bem maior. É uma tendência: o erro observado oscila com os arredondamentos de cada conta e pode ser menor que a estimativa.
Referências
- HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física: gravitação, ondas e termodinâmica. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. v. 2.
- BURDEN, R. L.; FAIRES, J. D. Análise numérica. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008.
- GOLDBERG, D. What every computer scientist should know about floating-point arithmetic. ACM Computing Surveys, New York, v. 23, n. 1, p. 5-48, 1991.
- STEWART, J. Cálculo. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. v. 1.
- GUIDORIZZI, H. L. Um curso de cálculo. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001. v. 1.
- LIMA, E. L. Análise real: funções de uma variável. Rio de Janeiro: IMPA, 1989. v. 1. (Coleção Matemática Universitária).