MatLabG · Experiência
Volumes de sólidos de revolução
Discos, anéis e cascas: da soma de fatias à integral.
Relação com o Laboratório Virtual G
Teoria e experimentação: explorar todos os vínculosPergunta científica
Por que somar fatias cada vez mais finas leva ao volume exato, e como escolher entre discos, anéis e cascas?
Execução restrita
Gire uma região plana em torno de um eixo e veja o sólido nascer. Corte-o em fatias — discos, anéis ou cascas cilíndricas —, some seus volumes e acompanhe a soma se aproximar da integral à medida que as fatias afinam. Inclui a trombeta de Gabriel: volume finito, superfície infinita.
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Conexões com a realidade e com outras áreas
Cada conexão traz uma aplicação resolvida: a situação, o modelo, o cálculo passo a passo e uma leitura crítica do resultado. Mude os dados para recalcular.
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Engenharia mecânica
O torno e as peças de revolução
Eixos, polias e parafusos são produzidos no torno mecânico: a peça gira e a ferramenta define o perfil. O volume de material — e, com a densidade, a massa da peça — é exatamente o volume de um sólido de revolução.
Fonte: [1]
Como usar: aplicação resolvida
Uma peça de aço torneada tem um trecho cilíndrico (raio 2 cm, 5 cm de comprimento) seguido de um trecho cônico que afina até raio 1 cm em 3 cm. Qual o volume e a massa (aço ≈ 7,85 g/cm³)?
Modelo: Cilindro πr₁²L₁; tronco de cone πL₂/3 · (r₁² + r₁r₂ + r₂²) (volumes de revolução); massa = densidade × volume.
- Cilindro: π · 2² · 5 ≈ 62,83 cm³.
- Tronco de cone: π · L₂/3 · (r₁² + r₁·r₂ + r₂²), com L₂ = 3, r₁ = 2 e r₂ = 1: ≈ 21,99 cm³.
- Volume total: V ≈ 84,82 cm³; massa: ρ · V = 7,85 · V ≈ 665,9 g.
Resultado: Volume ≈ 84,8 cm³; massa ≈ 666 g.
Leitura crítica: O tronco de cone é o sólido gerado pela rotação de um trapézio: a fórmula sai da integral π ∫ r(x)² dx com r linear.
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História da matemática
Kepler e os barris de vinho
Em 1615, Kepler publicou um estudo sobre a medida do volume de barris de vinho, decompondo sólidos em infinitas fatias finas. O trabalho está entre os precursores do cálculo integral, décadas antes de Newton e Leibniz.
Fonte: [3]
Como usar: aplicação resolvida
Um barril tem 80 cm de altura, raio de 30 cm no bojo (meio) e 25 cm nos tampos. Modelando a lateral por um arco de parábola, qual a capacidade em litros?
Modelo: r(x) = R − (R − r)·(2x/h)², −h/2 ≤ x ≤ h/2; V = π ∫ r(x)² dx (calculada numericamente, regra de Simpson).
- Perfil: r(x) = 30 − 5 · (2x/80)².
- V = π ∫ r(x)² dx ≈ 202.319 cm³ (Simpson com 2 000 subintervalos).
- Em litros: ≈ 202,3 L. Comparação: cilindro de raio R teria ≈ 226,2 L.
Resultado: Capacidade ≈ 202,3 L.
Leitura crítica: O valor é uma aproximação numérica de um modelo; o erro de Simpson aqui é desprezível, mas o perfil real das aduelas pode diferir da parábola. Kepler enfrentou este problema em 1615.
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Filosofia da matemática
Torricelli e o sólido de volume finito
Em 1641, Torricelli mostrou que o sólido obtido girando y = 1/x, de x = 1 ao infinito, tem volume finito, embora se estenda sem fim. O resultado provocou debate filosófico sobre o infinito na matemática do século XVII. Hoje ele é conhecido como trombeta de Gabriel.
Fonte: [4]
Como usar: aplicação resolvida
A trombeta de Gabriel vai de x = 1 até x = b. Quanto tinta caberia dentro dela, e quanto seria preciso para pintá-la por fora?
Modelo: Volume π ∫₁ᵇ dx/x² = π(1 − 1/b) → π; área da superfície ≥ 2π ∫₁ᵇ dx/x = 2π ln b → ∞.
- Volume: π · (1 − 1/b), com b = 1000: ≈ 3,138451.
- Área ≥ 2π · ln(b) ≈ 43,403.
- Quando b → ∞: volume → π ≈ 3,141593; área → ∞.
Resultado: Volume ≈ 3,1385 (nunca passa de π); área maior que ≈ 43,4 e sem limite.
Leitura crítica: O 'paradoxo do pintor' (encher de tinta, mas não conseguir pintar) mistura modelo matemático e tinta real, que tem espessura: uma camada de espessura fixa não caberia no interior estreito. É uma boa discussão sobre o que a matemática afirma.
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Física e engenharia
Tanques e reservatórios
Tanques, silos e reservatórios com paredes curvas têm capacidade calculada como volume de revolução; o mesmo raciocínio por fatias dá o volume ocupado por um líquido até certa altura.
Fonte: [2]
Como usar: aplicação resolvida
Um tanque cilíndrico horizontal tem raio 1 m e comprimento 5 m. Com o líquido a 0,5 m de altura, quantos litros ele contém?
Modelo: Área do segmento circular: r² · arccos((r − h)/r) − (r − h)·√(2rh − h²); volume = área × comprimento.
- Segmento: A = r² · arccos((r − h)/r) − (r − h) · √(2rh − h²), com r = 1 e h ≈ 0,5: A ≈ 0,6142 m².
- Volume: A · L, com L = 5: ≈ 3,0709 m³, isto é, ≈ 3.071 L.
- Fração do tanque: ≈ 19,6%.
Resultado: ≈ 3.071 litros.
Leitura crítica: Metade da altura não é metade do volume em geral — aqui, 25% da altura dá cerca de 20% do volume. Por isso réguas de tanque têm escala não linear.
Referências
- STEWART, J. Cálculo. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. v. 1.
- GUIDORIZZI, H. L. Um curso de cálculo. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001. v. 1.
- BOYER, C. B.; MERZBACH, U. C. História da matemática. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2012.
- MANCOSU, P. Philosophy of mathematics and mathematical practice in the seventeenth century. New York: Oxford University Press, 1996.
- HEATH, T. L. (ed.). The works of Archimedes. Cambridge: Cambridge University Press, 1897.