← Voltar ao tema Função quadrática
MatLabG · Experiência
Proporcional ou só afim? Dobrar x dobra y?
y = ax e y = ax + b crescem no mesmo ritmo, mas só um deles é proporcional — e a regra de três é a reta que passa pela origem.
Relação com o Laboratório Virtual G
Teoria e experimentação: explorar todos os vínculosPergunta científica
Quando multiplicar x por k multiplica y por k — e quando a regra de três é legítima?
Execução restrita
Compare y = ax + b com y = ax. Escolha x e um fator k (dobrar, triplicar, metade, oposto) e veja, no mesmo gráfico, (kx; f(kx)) sobre a reta e (kx; k·f(x)), o que a regra de três prevê — geometricamente, a reta pela origem e por (x; f(x)). A diferença é sempre b(1 − k): só some com b = 0. O que é sempre proporcional numa função afim é a variação, Δy = a·Δx. Investigação guiada com as escalas termométricas e a mola.
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Conexões com a realidade e com outras áreas
Cada conexão traz uma aplicação resolvida: a situação, o modelo, o cálculo passo a passo e uma leitura crítica do resultado. Mude os dados para recalcular.
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Física
Mola: o alongamento é proporcional, o comprimento não
No regime elástico (lei de Hooke), o alongamento L − L₀ é proporcional à força: L − L₀ = kF. O comprimento total L = L₀ + kF é afim. Aplicar regra de três ao comprimento total supõe L₀ = 0 e erra; aplicá-la ao alongamento acerta — dentro do limite elástico (atividade fa-08 do Laboratório Virtual G).
Como usar: aplicação resolvida
Uma mola mede 20 cm sem carga e 26 cm sob uma força de 3 N. Supondo o regime elástico, quanto medirá sob 5 N? Quanto daria a regra de três aplicada ao comprimento total?
Modelo: Lei de Hooke: alongamento proporcional à força, L − L₀ = kF; comprimento afim, L = L₀ + kF, com k = (L₁ − L₀)/F₁.
- Alongamento sob F₁: 26 − 20 = 6 cm; k = 6/3 = 2 cm/N.
- L(F₂) = 20 + 2·5 = 30 cm.
- Regra de três no comprimento total (supõe L₀ = 0): 26·5/3 ≈ 43,333 cm — erro de ≈ 13,333 cm.
Resultado: Sob 5 N: = 30 cm (a regra de três no comprimento total daria ≈ 43,33 cm).
Leitura crítica: O que é proporcional à força é o alongamento, não o comprimento. A previsão só vale no regime elástico: acima do limite elástico a mola se deforma permanentemente e o modelo deixa de valer.
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Economia (modelo hipotético)
Conta com parte fixa: dobrar o consumo não dobra a conta
Modelo hipotético, não são tarifas reais: uma conta formada por uma parte fixa F mais um preço p por unidade consumida é C(q) = F + pq, afim em q. Dobrar o consumo não dobra a conta (a diferença é F), e o preço médio por unidade, C(q)/q = p + F/q, diminui quando o consumo aumenta.
Como usar: aplicação resolvida
<strong>Modelo hipotético</strong> (não são dados reais): uma conta tem parte fixa de R$ 30,00 e R$ 0,80 por unidade consumida. Com consumo de 100 unidades, quanto se paga? E com o dobro do consumo — a conta dobra?
Modelo: C(q) = F + p·q (afim em q). C(kq) − k·C(q) = F(1 − k): só é zero sem parte fixa. Preço médio por unidade: C(q)/q = p + F/q.
- C(100) = 30 + 0,8·100 = 110 reais.
- C(200) = 30 + 0,8·200 = 190; 2·C(q) = 220.
- Diferença C(kq) − k·C(q) = F(1 − k) = −30.
- Preço médio: = 1,1 por unidade com q; = 0,95 com kq.
Resultado: No modelo: R$ 110 com 100 unidades e R$ 190 com 200 — não proporcional ao consumo (parte fixa F ≠ 0).
Leitura crítica: Modelo hipotético: tarifas reais podem ter faixas, impostos e mínimos que mudam a lei. Com parte fixa, a conta cresce junto com o consumo sem ser proporcional a ele, e o preço médio cai quando o consumo aumenta.
Referências
- BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
- IEZZI, G.; MURAKAMI, C. Fundamentos de matemática elementar, 1: conjuntos, funções. 9. ed. São Paulo: Atual, 2013.
- OECD. PISA 2022 assessment and analytical framework. Paris: OECD Publishing, 2023.