1ª série EM · Números e Álgebra · Demonstrativo

Função quadrática

Por que tantas situações de máximo e mínimo, de queda livre e de área levam à mesma curva — e o que a expressão algébrica revela sobre ela antes de qualquer gráfico.

Questão mobilizadora

Com 40 metros de tela, quer-se cercar um terreno retangular encostado num muro (o muro dispensa tela num dos lados). Que medidas dão a maior área? E como ter certeza de que nenhuma outra escolha é melhor?

Começar explorando Ir ao conceito

Objetivos de aprendizagem

  • Reconhecer uma função quadrática f(x)=ax2+bx+cf(x)=ax^2+bx+c (a≠0a\neq0) em expressões, tabelas, gráficos e situações, e distinguir o que é e o que não é quadrático.
  • Relacionar os coeficientes à forma do gráfico: o sinal e o módulo de aa, o papel de cc e o efeito conjunto de aa e bb sobre o vértice.
  • Demonstrar a forma canônica f(x)=a(x−h)2+kf(x)=a(x-h)^2+k por completamento de quadrado e usá-la para obter vértice, eixo de simetria, zeros e valor extremo.
  • Justificar a fórmula das raízes e as relações de soma e produto, e interpretar o discriminante geometricamente.
  • Modelar situações (área, queda livre, receita) com funções quadráticas, explicitando hipóteses, domínio de validade e limites do modelo.
  • Reconhecer uma relação quadrática numa tabela pelas diferenças segundas constantes e investigar conjecturas, procurando contraexemplos.

Explorar

Manipule antes de formalizar

Questão mobilizadora

Com 40 metros de tela, quer-se cercar um terreno retangular encostado num muro (o muro dispensa tela num dos lados). Que medidas dão a maior área? E como ter certeza de que nenhuma outra escolha é melhor?

Experimento do MatLabG

Coeficientes da quadrática e o caminho do vértice

O que cada coeficiente faz com a parábola, e por onde anda o vértice quando só b varia?

2DInvestigação

Abrir no MatLabG

Prancheta 2D: coeficientes e vértice de f(x) = ax² + bx + c Plano cartesiano com malha. A parábola aparece em traço verde contínuo e espesso; o vértice V é um ponto de contorno vermelho, rotulado; o eixo de simetria é uma reta vertical pontilhada; o corte com o eixo y é um ponto verde rotulado com suas coordenadas. Com o rastro ligado, os vértices para b = −6, …, 6 aparecem como pontos cinzentos; uma curva-teste pode ser exibida em traço roxo, rotulada "curva-teste" até a revelação e, depois dela, com a sua equação. As leituras ao lado repetem em texto a expressão, o vértice, o eixo e a verificação do lugar geométrico.

Movimento:

Teclado

Tab leva a cada ponto móvel; setas o movem (Shift + setas, passo maior). Espaço reproduz ou pausa o movimento; ponto (.) avança um passo; F alterna a tela cheia. Com o mouse ou o dedo, arraste os pontos.

No experimento você manipula, conjectura e testa; nos outros modos, formaliza e demonstra. Uma observação no experimento é evidência, não prova.

Investigar

Conjecture, teste, justifique

Registre sua conjectura antes de seguir. O rascunho fica só neste navegador: nada é enviado.

  1. Investigação 1

    Por onde anda o vértice?

    Fixe a=1a=1 e c=1c=1 e faça bb variar em y=x2+bx+1y=x^2+bx+1. Registre o vértice para b=−4,−2,0,2,4b=-4,-2,0,2,4. Os vértices parecem estar sobre uma curva? Formule uma conjectura sobre a equação dessa curva, teste-a com outros valores de bb (inclusive não inteiros) e procure provar: o vértice é (−b2, 1−b24)\left(-\tfrac b2,\,1-\tfrac{b^2}{4}\right) — elimine bb. O que muda se a=2a=2? E se cc for outro? Generalize para y=ax2+bx+cy=ax^2+bx+c.

    Fica salva só neste navegador.

    Depois de conjecturar: como continuar

    Teste a conjectura com casos novos na prancheta de Explorar e confronte-a com a parte Investigar e generalizar, em Compreender. Um caso que contraria a conjectura vale mais que muitos que a confirmam.

  2. Investigação 2

    Quadrática ou não?

    Em cada tabela com x=0,1,2,3,4x=0,1,2,3,4, decida se uma função quadrática pode tê-la gerado: (i) yy: 3, 4, 7, 12, 19; (ii) yy: 1, 2, 4, 8, 16; (iii) yy: 0, 1, 8, 27, 64. Use as diferenças. Para as que não são quadráticas, que padrão as diferenças mostram? Uma tabela de cinco valores pode decidir a questão com certeza?

    Fica salva só neste navegador.

    Depois de conjecturar: como continuar

    Teste a conjectura com casos novos na prancheta de Explorar e confronte-a com a parte Investigar e generalizar, em Compreender. Um caso que contraria a conjectura vale mais que muitos que a confirmam.

Compreender

Do conceito à demonstração

8 partes, em sequência sugerida. Abra cada cartão quando quiser; as demonstrações ficam recolhidas.

1. Explorar: o cercado encostado no muro Observação

Chame de xx a medida (em metros) de cada um dos dois lados perpendiculares ao muro. A tela restante, 40−2x40-2x, forma o lado paralelo ao muro. A área é então A(x)=x(40−2x)A(x)=x(40-2x). Antes de qualquer fórmula, experimente valores:

xx (m)40−2x40-2x (m)A(x)A(x) (m²)
0400
530150
824192
1020200
1216192
1510150
2000

Dois fatos chamam a atenção: os valores sobem e depois descem, e se repetem aos pares (x=5x=5 e x=15x=15 dão 150; x=8x=8 e x=12x=12 dão 192). Os pares estão à mesma distância de x=10x=10. Isso sugere — mas ainda não prova — que x=10x=10 dá a maior área.

−2246810121416182022−30−28−26−24−22−20−18−16−14−12−10−8−6−4−22468101214161820222426283032343638404244464850525456586062646668707274767880828486889092949698100102104106108110112114116118120122124126128130132134136138140142144146148150152154156158160162164166168170172174176178180182184186188190192194196198200202204206208210212214216218220222224226228230x = 10(5; 150)(10; 200)(15; 150)
A área A(x)=x(40−2x)A(x)=x(40-2x) para 0≤x≤200\le x\le 20. A simetria em torno de x=10x=10 vista na tabela aparece como simetria da curva.

ObservaçãoObservar não é demonstrar

A tabela testou sete valores. Nada nela impede que, digamos, x=10,3x=10{,}3 dê mais que 200. Na seção "Máximos e mínimos" a forma canônica prova que nenhum valor de xx supera x=10x=10.
2. A ideia: função quadrática Definição · Contraexemplo · Observação

DefiniçãoFunção quadrática

Uma função quadrática (ou polinomial do 2º grau) é uma função f:R→Rf:\mathbb R\to\mathbb R dada por f(x)=ax2+bx+cf(x)=ax^2+bx+c, com aa, bb, cc reais e a≠0a\neq0. Seu gráfico chama-se parábola.

A exigência a≠0a\neq0 não é detalhe: com a=0a=0 sobra bx+cbx+c, uma função afim, cujo gráfico é uma reta. A área do cercado é quadrática porque, expandindo, A(x)=−2x2+40xA(x)=-2x^2+40x (a=−2a=-2, b=40b=40, c=0c=0).

ContraexemploAparecer um quadrado não basta

A expressão g(x)=(x+1)2−x2g(x)=(x+1)^2-x^2 contém quadrados, mas g(x)=x2+2x+1−x2=2x+1g(x)=x^2+2x+1-x^2=2x+1: é afim, não quadrática. Decidir exige simplificar até a forma ax2+bx+cax^2+bx+c e verificar se a≠0a\neq0.

ObservaçãoDomínio do modelo

Como função, A(x)=−2x2+40xA(x)=-2x^2+40x está definida para todo real. Como modelo do cercado, só faz sentido para 0<x<200<x<20: comprimentos são positivos. Toda conclusão sobre o cercado deve respeitar esse domínio.
3. A parábola mais simples: y = ax² Propriedade · Teorema · Atenção conceitual

Em y=ax2y=ax^2, yy é diretamente proporcional ao quadrado de xx: dobrar xx multiplica yy por 4; triplicar, por 9. É o caso que a BNCC destaca na conversão entre representações (EM13MAT402). Exemplo físico: na queda livre a partir do repouso, desprezada a resistência do ar, a distância percorrida é d=g2t2d=\tfrac{g}{2}t^2.

−3−2−1123−4−3−2−11234
y=x2y=x^2, y=0,5x2y=0{,}5x^2 (tracejada) e y=−x2y=-x^2 (destaque). O sinal de aa decide a concavidade; ∣a∣|a| maior fecha a parábola.

PropriedadePapel de a

Se a>0a>0, ax2≥0ax^2\ge0 e a parábola tem concavidade para cima, com ponto mais baixo na origem; se a<0a<0, concavidade para baixo, com ponto mais alto na origem. Quanto maior ∣a∣|a|, mais depressa ∣y∣|y| cresce: a parábola fica mais "fechada".

TeoremaSimetria

O gráfico de y=ax2y=ax^2 é simétrico em relação ao eixo yy.
Ver demonstração
Para todo xx, a(−x)2=ax2a(-x)^2=ax^2: os pontos (x, ax2)(x,\,ax^2) e (−x, ax2)(-x,\,ax^2) pertencem ambos ao gráfico e são simétricos em relação ao eixo yy. ■\blacksquare

TeoremaDiferenças segundas constantes

Seja f(x)=ax2+bx+cf(x)=ax^2+bx+c e um passo p>0p>0. As diferenças Δ1(x)=f(x+p)−f(x)\Delta_1(x)=f(x+p)-f(x) formam uma progressão aritmética, e as diferenças segundas Δ1(x+p)−Δ1(x)\Delta_1(x+p)-\Delta_1(x) valem sempre 2ap22ap^2.
Ver demonstração
f(x+p)−f(x)=a(2xp+p2)+bp=2ap x+(ap2+bp)f(x+p)-f(x)=a(2xp+p^2)+bp=2ap\,x+(ap^2+bp), que é afim em xx. Logo Δ1(x+p)−Δ1(x)=2ap (x+p)−2ap x=2ap2\Delta_1(x+p)-\Delta_1(x)=2ap\,(x+p)-2ap\,x=2ap^2, constante. ■\blacksquare Com passo 1, a diferença segunda é 2a2a; na tabela do cercado (passo 5 entre 0, 5, 10, 15, 20: áreas 0, 150, 200, 150, 0), as diferenças são 150, 50, −50, −150 e as segundas, −100 =2⋅(−2)⋅52=2\cdot(-2)\cdot5^2.

Atenção conceitualA recíproca precisa de cuidado

Uma tabela com xx igualmente espaçado e diferenças segundas constantes e não nulas é compatível com uma função quadrática — mas a tabela mostra só alguns valores: outra função pode coincidir com eles e diferir entre eles. A tabela sugere o modelo; não o demonstra.
4. Forma canônica, vértice e eixo de simetria Teorema · Atenção conceitual

TeoremaForma canônica

Toda função quadrática se escreve como f(x)=a(x−h)2+kf(x)=a(x-h)^2+k, com h=−b2ah=-\dfrac{b}{2a} e k=−Δ4ak=-\dfrac{\Delta}{4a}, onde Δ=b2−4ac\Delta=b^2-4ac.
Ver demonstração
Como a≠0a\neq0, f(x)=a(x2+bax)+cf(x)=a\left(x^2+\tfrac ba x\right)+c. Completando o quadrado, x2+bax=(x+b2a)2−b24a2x^2+\tfrac ba x=\left(x+\tfrac{b}{2a}\right)^2-\tfrac{b^2}{4a^2}. Então f(x)=a(x+b2a)2−b24a+c=a(x+b2a)2−b2−4ac4af(x)=a\left(x+\tfrac{b}{2a}\right)^2-\tfrac{b^2}{4a}+c=a\left(x+\tfrac{b}{2a}\right)^2-\tfrac{b^2-4ac}{4a}. Com h=−b2ah=-\tfrac{b}{2a} e k=−Δ4ak=-\tfrac{\Delta}{4a}, f(x)=a(x−h)2+kf(x)=a(x-h)^2+k. ■\blacksquare

A forma canônica diz que o gráfico de ff é o de y=ax2y=ax^2 transladado de hh na horizontal e de kk na vertical. O ponto V(h,k)V(h,k) é o vértice e a reta x=hx=h é o eixo de simetria: f(h+s)=as2+k=f(h−s)f(h+s)=as^2+k=f(h-s) para todo ss.

−11234567−5−4−3−2−1123456x = 3V(3; −4)15
f(x)=x2−6x+5=(x−3)2−4f(x)=x^2-6x+5=(x-3)^2-4: a parábola y=x2y=x^2 (tracejada) transladada 3 para a direita e 4 para baixo.

Exemplo resolvido Vértice de f(x)=x2−6x+5f(x)=x^2-6x+5 — em Resolver

Atenção conceitualO efeito de b não é uma translação

Variar cc desloca a parábola verticalmente; variar aa muda a abertura. Já variar bb (com aa e cc fixos) move o vértice na diagonal, ao longo de uma curva — veja a investigação ao final. Por isso a forma canônica, com hh e kk separados, é mais transparente para descrever translações.
5. Zeros, discriminante e fatoração Teorema · Contraexemplo

TeoremaZeros da função quadrática

A equação ax2+bx+c=0ax^2+bx+c=0 (a≠0a\neq0) tem duas raízes reais distintas se Δ>0\Delta>0, uma raiz real (dupla) se Δ=0\Delta=0 e nenhuma raiz real se Δ<0\Delta<0. Quando Δ≥0\Delta\ge0, x=−b±Δ2ax=\dfrac{-b\pm\sqrt\Delta}{2a}.
Ver demonstração
Pela forma canônica, f(x)=0  ⟺  a(x−h)2=−k=Δ4a  ⟺  (x−h)2=Δ4a2f(x)=0\iff a(x-h)^2=-k=\tfrac{\Delta}{4a}\iff (x-h)^2=\tfrac{\Delta}{4a^2}. O lado esquerdo é um quadrado, logo ≥0\ge0; o direito tem o sinal de Δ\Delta (pois 4a2>04a^2>0). Se Δ<0\Delta<0, não há solução real. Se Δ≥0\Delta\ge0, x−h=±Δ2∣a∣=±Δ2ax-h=\pm\tfrac{\sqrt\Delta}{2|a|}=\pm\tfrac{\sqrt\Delta}{2a} (o ±\pm absorve o sinal de aa), donde x=−b2a±Δ2ax=-\tfrac{b}{2a}\pm\tfrac{\sqrt\Delta}{2a}; as duas coincidem exatamente quando Δ=0\Delta=0. ■\blacksquare

Geometricamente: k=−Δ/(4a)k=-\Delta/(4a) é a altura do vértice. Com a>0a>0 a parábola está voltada para cima; ela cruza o eixo xx se o vértice está abaixo dele (k<0k<0, isto é, Δ>0\Delta>0), toca-o se o vértice está sobre ele (Δ=0\Delta=0) e não o alcança se o vértice está acima (Δ<0\Delta<0). Com a<0a<0 os papéis de "acima" e "abaixo" se invertem — e as conclusões sobre Δ\Delta continuam as mesmas.

TeoremaForma fatorada; soma e produto

Se x1x_1 e x2x_2 são as raízes (iguais quando Δ=0\Delta=0), então f(x)=a(x−x1)(x−x2)f(x)=a(x-x_1)(x-x_2), x1+x2=−bax_1+x_2=-\dfrac ba e x1x2=cax_1x_2=\dfrac ca.
Ver demonstração
Somando as raízes da fórmula, os termos ±Δ\pm\sqrt\Delta se cancelam: x1+x2=−2b2a=−bax_1+x_2=-\tfrac{2b}{2a}=-\tfrac ba. Multiplicando, x1x2=b2−Δ4a2=4ac4a2=cax_1x_2=\tfrac{b^2-\Delta}{4a^2}=\tfrac{4ac}{4a^2}=\tfrac ca. Então a(x−x1)(x−x2)=a[x2−(x1+x2)x+x1x2]=ax2+bx+ca(x-x_1)(x-x_2)=a\left[x^2-(x_1+x_2)x+x_1x_2\right]=ax^2+bx+c. ■\blacksquare

Contraexemplo"Δ negativo: a parábola fica acima do eixo"?

Falso em geral. f(x)=−x2−1f(x)=-x^2-1 tem Δ=0−4⋅(−1)⋅(−1)=−4<0\Delta=0-4\cdot(-1)\cdot(-1)=-4<0 e fica abaixo do eixo xx (f(x)≤−1f(x)\le-1). O que Δ<0\Delta<0 garante é que não há zeros reais: a parábola fica toda de um lado do eixo — o lado dado pelo sinal de aa.

Onde está o erro? Dividir por x — em Resolver

Onde está o erro? Raiz quadrada de um lado só — em Resolver

6. Máximos e mínimos Teorema · Atenção conceitual

TeoremaValor extremo

Se a>0a>0, ff tem valor mínimo kk, atingido só em x=hx=h; se a<0a<0, ff tem valor máximo kk, atingido só em x=hx=h.
Ver demonstração
f(x)−k=a(x−h)2f(x)-k=a(x-h)^2. Como (x−h)2≥0(x-h)^2\ge0, com igualdade só em x=hx=h: se a>0a>0, f(x)≥kf(x)\ge k para todo xx, com igualdade só em hh; se a<0a<0, f(x)≤kf(x)\le k, com igualdade só em hh. ■\blacksquare

Exemplo resolvido O cercado, agora com certeza — em Resolver

Atenção conceitualO vértice pode estar fora do domínio

Se o modelo só vale num intervalo e hh está fora dele, o extremo no intervalo ocorre numa extremidade, não no vértice. Exemplo: com no máximo 8 m disponíveis para cada lado perpendicular (0<x≤80<x\le8), a maior área do cercado é A(8)=192A(8)=192 m², pois AA cresce em todo o intervalo x<10x<10.
7. Modelagem: lançamento vertical

Situação. Uma bola é lançada verticalmente para cima. Pergunta. Qual a altura máxima e quando ela é atingida? Hipóteses. Resistência do ar desprezível; aceleração da gravidade constante, g≈9,8 m/s2g\approx9{,}8\ \mathrm{m/s^2}; altura inicial h0h_0 e velocidade inicial v0v_0 conhecidas. Modelo (cinemática do movimento uniformemente variado): h(t)=h0+v0t−g2t2h(t)=h_0+v_0t-\tfrac g2t^2.

Matemática. hh é quadrática em tt, com a=−g/2<0a=-g/2<0: há máximo em t∗=−v02(−g/2)=v0gt^*=-\tfrac{v_0}{2(-g/2)}=\tfrac{v_0}{g}, e h(t∗)=h0+v022gh(t^*)=h_0+\tfrac{v_0^2}{2g}. Interpretação. Dobrar v0v_0 quadruplica o ganho de altura v02/(2g)v_0^2/(2g). Validação e limites. Para objetos leves ou velocidades altas, a resistência do ar reduz a altura de modo apreciável e o modelo superestima o resultado; o modelo também deixa de valer quando a bola toca o chão (h(t)=0h(t)=0 define o fim do domínio).

Onde está o erro? Gráfico não é trajetória — em Resolver

8. Investigar e generalizar Nota histórica

Investigação Por onde anda o vértice? — em Investigar

Investigação Quadrática ou não? — em Investigar

Nota históricaUma ideia antiga

Problemas equivalentes a equações do 2º grau aparecem em tabletes babilônicos do início do II milênio a.C., resolvidos por um procedimento geométrico de "completar o quadrado" (Høyrup, 2002). No século IX, al-Khwarizmi justificou geometricamente regras para casos como "quadrados e raízes igual a números" (Boyer; Merzbach, 2012). A notação ax2+bx+cax^2+bx+c e a fórmula geral com ±Δ\pm\sqrt\Delta são muito posteriores; no Brasil a fórmula costuma ser chamada "de Bhaskara", nome pouco usado em outros países.

Experimentar

Experimentos no MatLabG

Cada experimento investiga o tema por uma entrada diferente. De lá, “Voltar ao tema” traz você de volta a esta página.

Deste tema

Relacionados pelo índice de vínculos

Teoria e experimentação: explorar todos os vínculos

Resolver

Aprender com resoluções

Leia cada resolução como ideia → estratégia → desenvolvimento → interpretação. Nos erros, pense antes de abrir a análise.

Exemplos resolvidos

Exemplo resolvidoVértice de f(x)=x2−6x+5f(x)=x^2-6x+5

Escreva ff na forma canônica e dê o vértice e o eixo de simetria.
  1. Ideiacompletar o quadrado em x2−6xx^2-6x, cuja "metade do coeficiente de xx" é −3-3.
  2. x2−6x=(x−3)2−9x^2-6x=(x-3)^2-9, logo f(x)=(x−3)2−9+5=(x−3)2−4f(x)=(x-3)^2-9+5=(x-3)^2-4.
  3. Vértice V(3,−4)V(3,-4); eixo x=3x=3. Conferência pelas fórmulas: h=−−62=3h=-\tfrac{-6}{2}=3, Δ=36−20=16\Delta=36-20=16, k=−164=−4k=-\tfrac{16}{4}=-4.

Da parte Forma canônica, vértice e eixo de simetria.

Exemplo resolvidoO cercado, agora com certeza

Prove que x=10x=10 dá a maior área do cercado e calcule-a.
  1. A(x)=−2x2+40xA(x)=-2x^2+40x, com a=−2<0a=-2<0: há máximo no vértice.
  2. h=−402⋅(−2)=10h=-\tfrac{40}{2\cdot(-2)}=10 e A(10)=10⋅20=200A(10)=10\cdot20=200. Em forma canônica, A(x)=−2(x−10)2+200A(x)=-2(x-10)^2+200.
  3. Para qualquer x≠10x\neq10, −2(x−10)2<0-2(x-10)^2<0 e A(x)<200A(x)<200. Como 1010 está no domínio do modelo (0<x<200<x<20), a resposta é: lados perpendiculares de 10 m, lado paralelo de 20 m, área máxima de 200 m².

Da parte Máximos e mínimos.

Onde está o erro?

Onde está o erro?Dividir por x

"Para resolver x2=5xx^2=5x, divido os dois lados por xx e obtenho x=5x=5."

Pergunta: A equação tem só essa solução? O que a divisão pressupôs?

Depois de pensar, compare com a análise
Dividir por xx só é permitido se x≠0x\neq0 — e x=0x=0 é justamente outra solução (02=5⋅00^2=5\cdot0). O caminho seguro é fatorar: x2−5x=x(x−5)=0x^2-5x=x(x-5)=0, logo x=0x=0 ou x=5x=5. A divisão perdeu uma raiz.

Onde está o erro?Raiz quadrada de um lado só

"x2=9x^2=9, então x=3x=3."

Pergunta: Todo número cujo quadrado é 9 é igual a 3?

Depois de pensar, compare com a análise
(−3)2=9(-3)^2=9 também. De x2=9x^2=9 segue ∣x∣=3|x|=3, isto é, x=3x=3 ou x=−3x=-3. O símbolo 9\sqrt9 denota só a raiz não negativa, 3; a equação tem duas soluções.

Onde está o erro?Gráfico não é trajetória

"O gráfico de h(t)h(t) é uma parábola, então a bola descreve uma parábola no ar."

Pergunta: Lançada verticalmente, para onde a bola se move? O que está no eixo horizontal do gráfico?

Depois de pensar, compare com a análise
A bola sobe e desce na mesma vertical: sua trajetória é um segmento de reta. A parábola está no plano (t,h)(t,h) — tempo × altura —, não no espaço físico. (No lançamento oblíquo, sob as mesmas hipóteses, a trajetória no espaço também é parabólica, mas por outro motivo: a posição horizontal varia linearmente com o tempo.)

Desafiar-se

Suba os degraus

15 atividades autorais, do reconhecimento ao desafio. Responda primeiro: o retorno comenta a sua resposta (nada é enviado para fora do navegador). A solução comentada fica recolhida.

  1. Degrau 1 de 8

    Atividade 1

    A ideia: função quadrática
    Qual das funções é quadrática?
    Escolha uma opção
    Solução comentada
    1. Ideiareduzir cada expressão à forma ax2+bx+cax^2+bx+c, se possível.
    2. f(x)=2x+1f(x)=2x+1 (afim); g(x)=−2x2+3g(x)=-2x^2+3 (quadrática, a=−2a=-2); hh tem grau 3; kk não é polinômio.

    Resposta: gg.

    Atividade 2

    A parábola mais simples: y = ax²
    Em y=−0,5x2y=-0{,}5x^2, a parábola tem concavidade para cima ou para baixo? E é mais aberta ou mais fechada que y=x2y=x^2?
    Escolha uma opção
    Solução comentada
    1. Concavidade: sinal de aa; a=−0,5<0a=-0{,}5<0 → para baixo.
    2. Abertura: ∣a∣=0,5<1|a|=0{,}5<1 → ∣y∣|y| cresce mais devagar que em y=x2y=x^2 → mais aberta.

    Resposta: Para baixo e mais aberta.

  2. Degrau 2 de 8

    Atividade 3

    A parábola mais simples: y = ax²
    A parábola y=ax2y=ax^2 passa pelo ponto (2, 6)(2,\,6). Quanto vale aa?
    Solução comentada
    1. Ideiao ponto pertence ao gráfico, logo satisfaz a equação.
    2. 6=a⋅22=4a⇒a=64=1,56=a\cdot2^2=4a\Rightarrow a=\tfrac64=1{,}5.

    Resposta: a=1,5a=1{,}5.

    Atividade 4

    Forma canônica, vértice e eixo de simetria
    Qual é a ordenada kk do vértice de f(x)=x2−8x+11f(x)=x^2-8x+11?
    Solução comentada
    1. Estratégiacompletar o quadrado.
    2. x2−8x=(x−4)2−16x^2-8x=(x-4)^2-16, então f(x)=(x−4)2−5f(x)=(x-4)^2-5.
    3. Vértice (4,−5)(4,-5); k=−5k=-5. Pela fórmula: Δ=64−44=20\Delta=64-44=20, k=−20/4=−5k=-20/4=-5.

    Resposta: k=−5k=-5.

    Atividade 5

    Forma canônica, vértice e eixo de simetria
    O gráfico de gg é o de y=x2y=x^2 transladado 2 unidades para a direita e 3 para cima. Escreva g(x)g(x) na forma ax2+bx+cax^2+bx+c e dê o valor de bb.
    Solução comentada
    1. Translação: vértice vai de (0,0)(0,0) para (2,3)(2,3), então g(x)=(x−2)2+3g(x)=(x-2)^2+3.
    2. Expandindo: x2−4x+4+3=x2−4x+7x^2-4x+4+3=x^2-4x+7; b=−4b=-4 e c=7c=7.

    Resposta: g(x)=x2−4x+7g(x)=x^2-4x+7; b=−4b=-4.

  3. Degrau 3 de 8

    Atividade 6

    Zeros, discriminante e fatoração
    Resolva 2x2−8x+6=02x^2-8x+6=0 e informe a maior raiz.
    Solução comentada
    1. Estratégia 1: dividir por 2: x2−4x+3=0x^2-4x+3=0, isto é, (x−1)(x−3)=0(x-1)(x-3)=0.
    2. Estratégia 2: Δ=64−48=16\Delta=64-48=16; x=8±44x=\tfrac{8\pm4}{4}, isto é, x=3x=3 ou x=1x=1.
    3. Interpretaçãoa parábola y=2x2−8x+6y=2x^2-8x+6 corta o eixo xx em 1 e 3; o vértice está no meio, em x=2x=2.

    Resposta: x=1x=1 ou x=3x=3; a maior é 3.

    Atividade 7

    Zeros, discriminante e fatoração
    Quantas raízes reais tem 3x2−2x+1=03x^2-2x+1=0?
    Escolha uma opção
    Solução comentada
    1. Δ=b2−4ac=4−12=−8\Delta=b^2-4ac=4-12=-8.
    2. Δ<0\Delta<0: nenhuma raiz real.

    Resposta: Nenhuma raiz real.

  4. Degrau 4 de 8

    Atividade 11

    Máximos e mínimos
    Com 60 m de tela e um muro dispensando um dos lados, qual a maior área retangular que se pode cercar (em m²)?
    Solução comentada

    Comparar estratégias

    Estratégia 1

    1. Modelo: A(x)=x(60−2x)=−2x2+60xA(x)=x(60-2x)=-2x^2+60x, 0<x<300<x<30.
    2. a<0a<0: máximo em h=−60−4=15h=-\tfrac{60}{-4}=15, dentro do domínio.
    3. A(15)=15⋅30=450A(15)=15\cdot30=450 m².

    Estratégia 2

    1. Os zeros de AA são 0 e 30; por simetria o vértice está no ponto médio, x=15x=15.

    Resposta: 450 m² (lados de 15 m e 30 m).

    Atividade 13

    Modelagem: lançamento vertical
    Sob as hipóteses do modelo da seção anterior (g=9,8g=9{,}8 m/s²), uma bola é lançada verticalmente de 1,5 m de altura com velocidade de 14 m/s. Qual a altura máxima, em metros?
    Solução comentada
    1. Modelo: h(t)=1,5+14t−4,9t2h(t)=1{,}5+14t-4{,}9t^2.
    2. Vértice: t∗=149,8≈1,43t^*=\tfrac{14}{9{,}8}\approx1{,}43 s.
    3. hmax⁡=1,5+1422⋅9,8=1,5+10=11,5h_{\max}=1{,}5+\tfrac{14^2}{2\cdot9{,}8}=1{,}5+10=11{,}5 m.

    Resposta: 11,5 m.

  5. Degrau 5 de 8

    Atividade 15

    Investigar e generalizar
    A tabela vem de uma função quadrática: xx: 0, 1, 2, 3, 4; yy: 3, 4, 7, 12, 19. Qual o valor de aa?
    Solução comentada
    1. Diferenças primeiras: 1, 3, 5, 7. Segundas: 2, 2, 2.
    2. Pelo teorema, com passo 1 a diferença segunda é 2a2a: a=1a=1.
    3. c=f(0)=3c=f(0)=3 e f(1)=1+b+3=4⇒b=0f(1)=1+b+3=4\Rightarrow b=0. Conferência: f(4)=16+3=19f(4)=16+3=19.

    Resposta: a=1a=1 (f(x)=x2+3f(x)=x^2+3).

    Atividade 8

    Zeros, discriminante e fatoração
    Para que valor de cc a parábola y=x2−4x+cy=x^2-4x+c toca o eixo xx em um único ponto?
    Solução comentada

    Comparar estratégias

    Estratégia 1

    1. Toque em um único ponto ⇔ raiz dupla ⇔ Δ=0\Delta=0.
    2. 16−4c=0⇒c=416-4c=0\Rightarrow c=4; então y=(x−2)2y=(x-2)^2.

    Estratégia 2

    1. Vértice em x=2x=2; tocar o eixo significa k=f(2)=4−8+c=0k=f(2)=4-8+c=0, logo c=4c=4.

    Resposta: c=4c=4.

  6. Degrau 6 de 8

    Atividade 14

    Modelagem: lançamento vertical
    Modelo hipotético (não são dados reais): uma cooperativa supõe que, ao preço de pp reais, vende q=200−4pq=200-4p unidades por dia (0<p<500<p<50). Qual preço maximiza a receita R=p⋅qR=p\cdot q?
    Solução comentada
    1. Modelo: R(p)=p(200−4p)=−4p2+200pR(p)=p(200-4p)=-4p^2+200p, com 0<p<500<p<50.
    2. a=−4<0a=-4<0: máximo em p=−200−8=25p=-\tfrac{200}{-8}=25, dentro do domínio.
    3. R(25)=25⋅100=2500R(25)=25\cdot100=2500. Limite do modelo: a relação q=200−4pq=200-4p é uma hipótese; na prática precisaria ser estimada com dados e validada.

    Resposta: R$ 25,00 (receita de R$ 2.500,00 por dia, no modelo).

  7. Degrau 7 de 8

    Atividade 9

    Zeros, discriminante e fatoração
    Afirmação: "se aa e cc têm sinais opostos, ax2+bx+c=0ax^2+bx+c=0 tem duas raízes reais distintas, qualquer que seja bb". Ela é:
    Escolha uma opção
    Solução comentada
    1. Ideiaolhar o sinal de Δ\Delta.
    2. ac<0⇒−4ac>0ac<0\Rightarrow-4ac>0; b2≥0b^2\ge0; logo Δ=b2+(−4ac)>0\Delta=b^2+(-4ac)>0.
    3. Outra leitura: o produto das raízes é c/a<0c/a<0, o que só é possível com duas raízes reais de sinais opostos.

    Resposta: Sempre verdadeira.

    Atividade 10

    Zeros, discriminante e fatoração
    Ana diz: "se Δ<0\Delta<0, a parábola fica inteira acima do eixo xx". Que avaliação é correta?
    Escolha uma opção
    Solução comentada
    1. Δ<0\Delta<0: sem zeros reais, logo ff tem sinal constante.
    2. O sinal é o de aa (pois f(x)=a[(x−h)2−Δ/(4a2)]f(x)=a[(x-h)^2-\Delta/(4a^2)] e o colchete é positivo). Contraexemplo à frase: −x2−1-x^2-1.

    Resposta: Incompleta: depende do sinal de a.

  8. Degrau 8 de 8

    Atividade 12

    Máximos e mínimos
    Um retângulo tem dois lados sobre os catetos de um triângulo retângulo de catetos 6 e 8, e o vértice oposto sobre a hipotenusa. Qual a maior área possível do retângulo?
    Solução comentada
    1. Ideiaexpressar a área em função de uma só variável.
    2. Hipotenusa: y=8−43xy=8-\tfrac43x. Área A(x)=x(8−43x)=−43x2+8xA(x)=x\left(8-\tfrac43x\right)=-\tfrac43x^2+8x, 0<x<60<x<6.
    3. Vértice em x=−82⋅(−4/3)=3x=-\tfrac{8}{2\cdot(-4/3)}=3; A(3)=3⋅4=12A(3)=3\cdot4=12.
    4. Generalização: com catetos mm e nn, A(x)=x n(1−x/m)A(x)=x\,n(1-x/m), máximo em x=m/2x=m/2, com área mn/4mn/4 — metade da área do triângulo.

    Resposta: 12 (base 3, altura 4).

Aplicar

O tema fora da sala

Aplicações resolvidas das conexões dos experimentos: situação, modelo, cálculo passo a passo e leitura crítica. Mude os dados para recalcular.

Coeficientes da quadrática e o caminho do vértice

Física Lançamento vertical: a velocidade inicial é o coeficiente b

Desprezada a resistência do ar e com g constante, a altura de um objeto lançado verticalmente é h(t) = h₀ + v₀t − (g/2)t²: a = −g/2, b = v₀ e c = h₀. Mudar só a velocidade de lançamento é mudar só b — e o ponto mais alto (t* = v₀/g; h₀ + v₀²/(2g)) percorre a parábola h = h₀ + (g/2)t², que é exatamente y = c − a·x².

Como usar: aplicação resolvida

Uma bola é lançada verticalmente para cima a partir de 1,5 m de altura, com velocidade de 14 m/s. Qual a altura máxima e quando ela ocorre? Se só a velocidade de lançamento mudar, por onde anda o ponto mais alto?

Modelo: h(t) = h₀ + v₀t − (g/2)t² (resistência do ar desprezível, g constante): a = −g/2, b = v₀, c = h₀. Vértice: t* = v₀/g, H = h₀ + v₀²/(2g). Com a e c fixos, o vértice está sobre h = c − a·t² = h₀ + (g/2)t².

Dados — altere para recalcular
  1. Coeficientes: a = −g/2 = −4,9, b = v₀ = 14, c = h₀ = 1,5.
  2. t* = −b/(2a) = v₀/g = 14/9,8 ≈ 1,429 s.
  3. H = h₀ + v₀²/(2g) = 1,5 + 196/19,6 = 11,5 m.
  4. Lugar dos vértices: c − a·t*² = 1,5 + 4,9·(1,429)² = 11,5 m — o mesmo H: o vértice está sobre h = h₀ + (g/2)t².

Resultado: Altura máxima = 11,5 m, atingida em t ≈ 1,43 s.

Leitura crítica: Mudar só v₀ é mudar só b: o ponto mais alto desliza sobre a parábola h = h₀ + (g/2)t², de concavidade oposta à de h(t). Dobrar v₀ dobra t* e quadruplica o ganho v₀²/(2g). Com resistência do ar apreciável (objetos leves, velocidades altas), o modelo superestima a altura.

Economia (modelo hipotético) Receita com demanda linear: o preço ótimo anda sobre uma parábola

Modelo hipotético, não são dados reais: se ao preço p se vendem q = q₀ − βp unidades, a receita é R(p) = −βp² + q₀p (a = −β, b = q₀, c = 0). Se só a demanda máxima q₀ muda, o par (preço ótimo; receita máxima) = (q₀/(2β); q₀²/(4β)) percorre R = βp² — de novo y = c − a·x².

Como usar: aplicação resolvida

<strong>Modelo hipotético</strong> (não são dados reais): uma cooperativa supõe que, ao preço p (R$), vende q = q₀ − βp unidades por dia. Qual preço maximiza a receita, e como o ótimo se desloca se a demanda máxima q₀ mudar?

Modelo: R(p) = p(q₀ − βp) = −βp² + q₀p (a = −β, b = q₀, c = 0). Vértice: p* = q₀/(2β), R* = q₀²/(4β). Mudando só q₀ (só b), o vértice percorre R = βp² (y = c − a·x²).

Dados — altere para recalcular
  1. R(p) = −4p² + 200p; p* = q₀/(2β) = 200/8 = 25.
  2. R* = q₀²/(4β) = 40000/16 = 2500.
  3. Com q₀′ = 240: p* = 30 e R* = 3600.
  4. Os dois ótimos satisfazem R = βp²: 4·(25)² = 2500 e 4·(30)² = 3600.

Resultado: No modelo: preço ótimo R$ 25 (receita R$ 2500 por dia); com q₀′, R$ 30 (receita R$ 3600).

Leitura crítica: Todos os ótimos estão sobre R = βp²: aumentar a demanda máxima eleva o preço ótimo e a receita ao longo de uma parábola. A conclusão depende inteiramente da hipótese de demanda linear, que é inventada aqui; em uma situação real ela precisaria ser estimada com dados e validada.

Forma canônica e forma expandida: a mesma curva

Física Ler o lançamento pelo vértice

Sob as hipóteses do lançamento vertical (sem resistência do ar, g constante), h(t) = −(g/2)(t − t*)² + H: o vértice (t*; H) é o instante e a altura máximos. Da forma canônica volta-se à expandida e obtêm-se a velocidade inicial v₀ = g·t* e a altura inicial h₀ = H − (g/2)t*².

Como usar: aplicação resolvida

Num vídeo, uma bola lançada verticalmente atinge a altura máxima de 11,5 m no instante 1,5 s. Com que velocidade e de que altura ela foi lançada?

Modelo: Forma canônica do lançamento (sem resistência do ar, g constante): h(t) = −(g/2)(t − t*)² + H. Expandindo: h(t) = −(g/2)t² + g·t*·t + (H − (g/2)t*²), logo v₀ = g·t* e h₀ = H − (g/2)t*².

Dados — altere para recalcular
  1. h(t) = −4,9(t − 1,5)² + 11,5.
  2. b = −2·a·t* = 2·4,9·1,5 = 14,7: v₀ = 14,7 m/s.
  3. c = a·t*² + H = −4,9·2,25 + 11,5 = 0,475: h₀ = 0,475 m.

Resultado: Lançada a = 14,7 m/s de ≈ 0,47 m de altura.

Leitura crítica: A forma canônica lê o vértice diretamente; a expandida dá v₀ e h₀. Erros de leitura de t* pesam muito: h₀ depende de t*². A resistência do ar faz a altura máxima real ser menor que a do modelo.

Arquitetura e engenharia Arco parabólico pelo vão e pela flecha

Um arco parabólico de vão V e flecha (altura no meio) F tem vértice (V/2; F) e passa por (0; 0): y = −(4F/V²)(x − V/2)² + F. A forma canônica dá a altura em qualquer ponto do vão. A parábola é a forma de equilíbrio de um cabo sob carga uniformemente distribuída na horizontal; arcos reais podem seguir outras curvas (a catenária, por exemplo).

Como usar: aplicação resolvida

Um arco parabólico de vão 40 m tem flecha (altura no meio) de 10 m. Qual a altura do arco a 10 m de um dos apoios?

Modelo: Vértice (V/2; F) e apoios em (0; 0) e (V; 0): y = −(4F/V²)(x − V/2)² + F = 4F·x(V − x)/V², para 0 ≤ x ≤ V.

Dados — altere para recalcular
  1. a = −4F/V² = −4·10/1600 = −0,025.
  2. y = −0,025·(10 − 20)² + 10 = 7,5 m.
  3. Conferência na forma fatorada: 4F·x(V − x)/V² = 4·10·10·30/1600 = 7,5 m.

Resultado: Altura = 7,5 m a 10 m do apoio.

Leitura crítica: A um quarto do vão, a altura é 3/4 da flecha, qualquer que seja o arco parabólico. Arcos reais podem seguir outras curvas (a catenária é a forma de um cabo sob o próprio peso); a parábola é exata para carga uniformemente distribuída na horizontal.

História da matemática Completar o quadrado em tabletes babilônicos

Problemas do tipo "a área do quadrado somada ao seu lado dá 3/4" aparecem em tabletes paleobabilônicos e eram resolvidos completando, geometricamente, um quadrado (Høyrup, 2002) — a mesma ideia que leva de ax² + bx + c à forma canônica.

Como usar: aplicação resolvida

Um problema do tipo dos tabletes paleobabilônicos: "a área de um quadrado somada a b vezes o seu lado dá c". Quanto mede o lado? (Com b = 1 e c = 3/4.)

Modelo: x² + bx = c. Completar o quadrado: (x + b/2)² = c + (b/2)², logo x = √(c + (b/2)²) − b/2 (o lado é positivo).

Dados — altere para recalcular
  1. Metade do coeficiente: b/2 = 0,5; acrescentar o quadrado (b/2)² = 0,25 aos dois lados.
  2. (x + 0,5)² = 0,75 + 0,25 = 1.
  3. x + 0,5 = √1 = 1; x = 0,5.
  4. Conferência: x² + bx = 0,75.

Resultado: Lado = 0,5.

Leitura crítica: O procedimento é o do completamento de quadrado que leva à forma canônica: a(x − h)² + k. Os escribas trabalhavam com figuras e com números positivos; a raiz negativa da equação, −√(c + (b/2)²) − b/2, não corresponde a um lado.

Discriminante e zeros: o que Δ diz e o que não diz

Física A bola alcança a altura H? Quantas vezes?

No lançamento vertical (sem resistência do ar, g constante), alcançar a altura H é resolver h₀ + v₀t − (g/2)t² = H. O discriminante v₀² − 2g(H − h₀) decide: negativo, a bola nunca chega a H; zero, chega exatamente no ponto mais alto; positivo, passa por H duas vezes — subindo e descendo.

Como usar: aplicação resolvida

Uma bola é lançada verticalmente de 1,5 m de altura a 14 m/s. Ela alcança 8 m de altura? Em que instantes?

Modelo: h₀ + v₀t − (g/2)t² = H ⇔ −(g/2)t² + v₀t + (h₀ − H) = 0. Δ = v₀² − 2g(H − h₀). Só instantes t ≥ 0 pertencem ao domínio do modelo.

Dados — altere para recalcular
  1. −4,9t² + 14t + (−6,5) = 0.
  2. Δ = 14² − 4·(−4,9)·(−6,5) = 68,6.
  3. Raízes: t ≈ 0,583 e t ≈ 2,274 s.

Resultado: Passa por 8 m duas vezes: subindo, em t ≈ 0,58 s, e descendo, em t ≈ 2,27 s.

Leitura crítica: O sinal de Δ responde à pergunta "alcança?" antes de qualquer gráfico. O modelo ignora a resistência do ar e vale só enquanto a bola não toca o chão.

Economia (modelo hipotético) Existe preço que cubra o custo fixo?

Modelo hipotético, não são dados reais: com demanda q = q₀ − βp e custo fixo C, o resultado é L(p) = −βp² + q₀p − C. O discriminante q₀² − 4βC decide se há preço com resultado não negativo; os zeros são os preços de equilíbrio (lucro zero).

Como usar: aplicação resolvida

<strong>Modelo hipotético</strong> (não são dados reais): com demanda q = q₀ − βp e custo fixo diário C, existe algum preço que cubra o custo fixo? Entre que preços o resultado é não negativo?

Modelo: L(p) = p(q₀ − βp) − C = −βp² + q₀p − C, para 0 < p < q₀/β. Δ = q₀² − 4βC: Δ < 0, nenhum preço cobre C; Δ ≥ 0, os zeros são os preços de equilíbrio.

Dados — altere para recalcular
  1. L(p) = −4p² + 200p − 1800.
  2. Δ = 200² − 4·4·1800 = 11200.
  3. Zeros: p ≈ 11,77 e p ≈ 38,23 (ambos no intervalo 0 ≤ p ≤ q₀/β = 50).

Resultado: No modelo, o resultado é não negativo para preços entre R$ 11,77 e R$ 38,23.

Leitura crítica: O discriminante decide a existência antes do cálculo dos preços. Custos variáveis, concorrência e a validade da demanda linear ficaram de fora: o resultado é um exercício de modelagem, não uma recomendação.

Diferenças finitas: reconhecer uma quadrática numa tabela

Computação Tabular uma quadrática só com somas

Como Δ² = 2ap² é constante, os valores de uma quadrática em pontos igualmente espaçados podem ser gerados apenas com adições: y ← y + Δ¹ e Δ¹ ← Δ¹ + 2ap². É o método das diferenças, usado para tabular polinômios sem multiplicações. Em ponto flutuante, as somas acumulam erros de arredondamento, que a aplicação mede.

Como usar: aplicação resolvida

Tabular f(x) = x² + 3 a partir de x = 0, com passo 1, usando apenas somas. Depois de n passos, o valor acumulado confere com o cálculo direto?

Modelo: Δ² = 2ap² é constante. Começando com y = f(x₀) e Δ¹ = f(x₀ + p) − f(x₀): a cada passo, y ← y + Δ¹ e Δ¹ ← Δ¹ + 2ap².

Dados — altere para recalcular
  1. Início: y = f(0) = 3; Δ¹ = f(1) − f(0) = 1; Δ² = 2ap² = 2.
  2. 10 passos de duas somas cada (20 adições, nenhuma multiplicação).
  3. Valor acumulado: y = 103. Cálculo direto: f(10) = 103.
  4. Diferença: 0 (os dois cálculos coincidem exatamente).

Resultado: f(10) = 103, obtido só com somas.

Leitura crítica: Com números inteiros as somas são exatas; com decimais, cada soma em ponto flutuante arredonda, e o erro pode crescer com o número de passos. Por isso tabelas longas calculadas por somas são recalibradas de tempos em tempos com um valor calculado diretamente.

Física Queda livre em intervalos iguais

Na queda livre a partir do repouso, desprezada a resistência do ar, d(t) = (g/2)t². Em intervalos iguais de duração p, as distâncias percorridas em cada intervalo (as diferenças primeiras) crescem na proporção 1 : 3 : 5 : 7 …, e a diferença segunda é g·p² — constante, como prevê o teorema.

Como usar: aplicação resolvida

Uma pedra cai a partir do repouso. Quanto ela percorre em cada intervalo de 0,5 s? As diferenças segundas são constantes?

Modelo: Queda livre sem resistência do ar: d(t) = (g/2)t². No i-ésimo intervalo de duração p, percorre (g/2)p²(2i − 1); a diferença segunda é g·p².

Dados — altere para recalcular
  1. Posições: d(0) = 0; d(0,5) = 1,225; d(1) = 4,9; d(1,5) = 11,025; d(2) = 19,6 m.
  2. Distâncias em cada intervalo (Δ¹): 1,225; 3,675; 6,125; 8,575 m.
  3. Razões em relação ao 1º intervalo: 1 : 3 : 5 : 7.
  4. Diferença segunda: Δ² = 2,45 m; g·p² = 9,8·(0,5)² = 2,45 m.

Resultado: No 4º intervalo a pedra percorre = 8,575 m; em 2 s, = 19,6 m no total.

Leitura crítica: As distâncias em intervalos iguais crescem como os ímpares 1 : 3 : 5 : 7 …, e a diferença segunda é constante — a marca de uma relação quadrática com o tempo. A resistência do ar quebra esse padrão em quedas longas ou com objetos leves.

O cercado de área máxima: modelar, maximizar, respeitar o domínio

Agronomia e planejamento de área Piquete encostado numa cerca existente

Um piquete retangular encostado numa cerca já existente economiza tela num lado. Com orçamento B e tela a P por metro, L = B/P e, se nenhum limite de terreno excluir o vértice, a maior área é L²/8, com o lado paralelo igual ao dobro do perpendicular. Um limite de terreno pode deslocar o ótimo para a extremidade.

Como usar: aplicação resolvida

Um produtor tem R$ 1.200,00 para comprar tela a R$ 15,00 o metro e quer o maior piquete retangular encostado numa cerca existente (que dispensa tela num lado). Que medidas usar? (Limite de terreno para o lado perpendicular: 0 = sem limite.)

Modelo: L = orçamento ÷ preço por metro; A(x) = x(L − 2x), 0 < x < L/2 (e x ≤ limite, se houver). Vértice x = L/4; se o limite for menor que L/4, o máximo é em x = limite.

Dados — altere para recalcular
  1. L = 1200/15 = 80 m de tela.
  2. A(x) = x(80 − 2x); vértice x = L/4 = 20 m.
  3. Domínio: 0 < x < L/2 = 40; o vértice está no domínio.
  4. x = 20 m; lado paralelo = 40 m; A = 800 m².

Resultado: Lados perpendiculares de = 20 m e lado paralelo de = 40 m: = 800 m².

Leitura crítica: Sem limite ativo, o lado paralelo é o dobro do perpendicular e a área é L²/8. O modelo supõe tela toda usada, sem portão nem sobras, e cerca existente reta e longa o bastante.

Economia (modelo hipotético) Receita com teto de preço

Modelo hipotético, não são dados reais: com demanda q = q₀ − βp, a receita R(p) = p(q₀ − βp) tem vértice em p = q₀/(2β). Se um teto de preço T fica abaixo do vértice, R é crescente em todo o intervalo permitido e o máximo é R(T) — a mesma lógica do limite para x no cercado.

Como usar: aplicação resolvida

<strong>Modelo hipotético</strong> (não são dados reais): com demanda q = q₀ − βp, um teto de preço T é imposto. Qual preço maximiza a receita respeitando o teto?

Modelo: R(p) = p(q₀ − βp), 0 < p < q₀/β e p ≤ T. Vértice p* = q₀/(2β). Se T < p*, R é crescente em todo o domínio e o máximo é R(T).

Dados — altere para recalcular
  1. R(p) = −4p² + 200p; domínio 0 < p < 50 e p ≤ 20.
  2. Vértice: p* = q₀/(2β) = 25; R(p*) = 2500.
  3. T = 20 < p*: o vértice está fora do domínio; R é crescente até T. R(T) = 2400.

Resultado: No modelo: preço R$ 20, receita R$ 2400 por dia (sem o teto seria R$ 2500).

Leitura crítica: Mesma lógica do cercado com limite: o vértice só é a resposta se pertence ao domínio. A demanda linear é uma hipótese inventada aqui; em uma situação real precisaria ser estimada e validada.

Aprofundar

Sintetizar e seguir adiante

Síntese

  • Quadrática: f(x)=ax2+bx+cf(x)=ax^2+bx+c com a≠0a\neq0; decidir exige simplificar a expressão.
  • Forma canônica f(x)=a(x−h)2+kf(x)=a(x-h)^2+k, h=−b2ah=-\tfrac b{2a}, k=−Δ4ak=-\tfrac\Delta{4a}: o gráfico é y=ax2y=ax^2 transladado; vértice (h,k)(h,k), eixo x=hx=h.
  • Δ>0\Delta>0, =0=0, <0<0: dois, um ou nenhum zero real; a posição da parábola em relação ao eixo depende também do sinal de aa.
  • a>0a>0: mínimo kk em x=hx=h; a<0a<0: máximo kk em x=hx=h — desde que hh esteja no domínio do modelo.
  • Numa tabela de quadrática com passo pp, as diferenças segundas são constantes e não nulas (2ap22ap^2); diferenças segundas nulas indicam pontos alinhados. A tabela sugere, a demonstração garante.
  • Modelos quadráticos têm hipóteses e domínio de validade: interpretar o resultado inclui dizer quando ele deixa de valer.

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Conexões

Temas relacionados

Currículo e proveniência

Tema EM1-NA-03 da matriz curricular do Laboratório Virtual G (1ª série EM, Números e Álgebra). A distribuição dos temas do Ensino Médio por série é decisão de organização do GEPEMA: a BNCC não distribui essas habilidades por série.

Habilidades da BNCC (texto oficial)
EM13MAT302
Construir modelos empregando as funções polinomiais de 1º ou 2º graus, para resolver problemas em contextos diversos, com ou sem apoio de tecnologias digitais.
EM13MAT402
Converter representações algébricas de funções polinomiais de 2º grau em representações geométricas no plano cartesiano, distinguindo os casos nos quais uma variável for diretamente proporcional ao quadrado da outra, recorrendo ou não a softwares ou aplicativos de álgebra e geometria dinâmica, entre outros materiais.
EM13MAT502
Investigar relações entre números expressos em tabelas para representá-los no plano cartesiano, identificando padrões e criando conjecturas para generalizar e expressar algebricamente essa generalização, reconhecendo quando essa representação é de função polinomial de 2º grau do tipo y = ax².
EM13MAT503
Investigar pontos de máximo ou de mínimo de funções quadráticas em contextos envolvendo superfícies, Matemática Financeira ou Cinemática, entre outros, com apoio de tecnologias digitais.
Avaliações e referenciais (instrumentos de análise, não currículo)
  • Saeb, matriz de referência de 2001 (3ª série do EM): D17, D20, D21, D25, D26.
  • Enem, Matriz de Referência de Matemática e suas Tecnologias: H19, H20, H21, H22, H23.
  • PISA 2022: Change and relationships; processos formulate, employ e interpret/evaluate (modelagem do cercado, do lançamento e da receita).
  • TIMSS 2023: Algebra — Relationships and functions (8ª série, para comparação); domínios cognitivos Applying e Reasoning.

Versão 1, revisada em 03/10/2026.

Referências

  • BOYER, C. B.; MERZBACH, U. C. História da matemática. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2012.
  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
  • HØYRUP, J. Lengths, widths, surfaces: a portrait of Old Babylonian algebra and its kin. New York: Springer, 2002.
  • IEZZI, G.; MURAKAMI, C. Fundamentos de matemática elementar, 1: conjuntos, funções. 9. ed. São Paulo: Atual, 2013.
  • OECD. PISA 2022 assessment and analytical framework. Paris: OECD Publishing, 2023.

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