Limites, Avanços e Perspectivas à Formação do Professor de Matemática após 10 anos de PARFOR

Artigo2021Acervo Histórico

DAVID PANCIERI PERIPATO; Daniele Lozano ORCID

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Resumo

Em 2019 o Plano Nacional de Formação de Professores para a Educação Básica (PARFOR) completou 10 anos. Sua meta é suprir a falta de professores licenciados ou atender profissionais não habilitados que atuam na Educação Básica lecionando determinadas disciplinas para as quais não possui formação específica (BRASIL, 2009). Nos últimos anos, dado o acirramento da correlação de forças e demais tensões políticas, o quadro atual demarca um maior contingenciamento do orçamento público para o provimento e continuidade das políticas públicas educacionais. Consequentemente, cabe-nos perguntar, quais os limites, avanços e desafios conjunturais que aludem sobre uma temática estratégica à qualificação dos profissionais da educação? Como tal política impacta na formação de professores de matemática visto que ainda nos deparamos com a carência de profissionais com a formação específica para lecionar esta disciplina ao mesmo tempo em que as avaliações em larga escala apontam para a defasagem de aprendizado nesta área? Realizado uma análise preliminar, selecionamos nos microdados do censo da Educação Básica (disponibilizados pelo INEP) os professores do país que declararam lecionar a disciplina de matemática no segundo ciclo do Ensino Fundamental no ano de 2019. Constatamos que as regiões Norte e Nordeste ainda apresentam demandas mesmo concentrando a maior parte de turmas oferecidas pelo programa, conforme trabalho de Santana (2016). Do total de 47535 da região Norte e 155325 da Nordeste que declararam lecionar matemática, 6,64% e 11,21% respectivamente, representam profissionais com formação em nível fundamental incompleto, completo ou médio em comparação com 5,62% da região Centro-Oeste, 1,76% Sudeste e 2,95% da região Sul. Contrastando esses dados com as formas de contratação, a região Centro-Oeste concentra 52,24% dos contratos por CLT, terceirizados e temporários em comparação com 35,47% da região Norte e 28,45% da Nordeste. Verificamos que, exceto a região Sudeste, as demais regiões do país possuem em média 5% de professores sem ensino superior trabalhando de forma não concursada. Diante o exposto, pontuamos: por mais que a graduação possa promover maior mobilidade social e acesso as condições salariais melhores, tal propositura pode ser insuficiente na medida em que se depara com a ausência de uma política de pleno emprego, ou, com uma política que fomenta a flexibilização das leis trabalhistas a fim de subvalorizar a força de trabalho, o que implica, de fato, na subvalorização da carreira docente mediante a normatização dos contratos precarizados. A concepção mais recente segundo a resolução do CNE/CP Nº 2, de 2019 (BRASIL, 2019), preconiza por uma docência pragmática alinhada às competências estabelecidas pelas políticas internacionais, o que exige a formação de um profissional polivalente capaz de atuar em um contexto de inseguridade. Desta forma, caberá a cada profissional se adaptar às novas exigências e demandas do processo produtivo social vigente, o professor é tido como mero executor de conceitos e os educandos utilizam do conhecimento para fins mais imediatos e práticos. A matemática poderá mais uma vez ser reduzida a sua racionalidade técnica através de um ensino mecanicista ainda insuperável. Defendemos, portanto, que uma política pública deve ser analisada criticamente a luz dos nexos conjunturais que exprimem a correlação de um conjunto de políticas como estratégias de reprodução ou superação de um determinado modelo social (BIANCHETTI, 1999). REFERÊNCIAS BIANCHETTI, R. G. O modelo neoliberal e as políticas educacionais. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1999. BRASIL, Decreto n. 6.775 de 29 de janeiro de 2009. Institui a Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica, disciplina a atuação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior-CAPES no fomento a programas de formação inicial e continuada, e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2021. ______. Conselho Nacional de Educação. Resolução n. 2/2019, de 20 de dezembro de 2019. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação). Brasília, DF. 2019. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2019-pdf/135951-rcp002-19/file>. Acessos em: 26 jun. 2021. SANTANA, V.D.F. A formação do professor de matemática no contexto das políticas públicas: Uma breve análise do PARFOR. 2016. 98 f. Dissertação (Mestrado em Educação em Ciências). Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, São Paulo, 2016, 98 p.

Dados da obra

Tipo
Artigo
Periódico
Anais do Seminário Sul-Mato-Grossense de Pesquisa em Educação Matemática
Ano
2021 (2021-10-15)
Idioma
pt
Temas
Formação de Professores de Matemática
ISSN
2177-3122, 2448-2943
Acesso
Acesso restrito
Fontes
OpenAlex
Na Biblioteca desde
02/10/2026 · verificada em 03/10/2026

Como citar

ABNT
PERIPATO, DAVID PANCIERI; LOZANO, Daniele. Limites, Avanços e Perspectivas à Formação do Professor de Matemática após 10 anos de PARFOR. Anais do Seminário Sul-Mato-Grossense de Pesquisa em Educação Matemática, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufms.br/index.php/sesemat/article/view/13341. Acesso em: 5 nov. 2026.

APA

PERIPATO, D. P., & Lozano, D. (2021). Limites, Avanços e Perspectivas à Formação do Professor de Matemática após 10 anos de PARFOR. Anais do Seminário Sul-Mato-Grossense de Pesquisa em Educação Matemática. https://periodicos.ufms.br/index.php/sesemat/article/view/13341

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