Formação de professores indígenas: limites e perspectivas segundo egressos de um curso de licenciatura intercultural
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Resumo
A presente dissertação de mestrado, vinculada à linha de pesquisa "Processos formativos, ensino e aprendizagem" no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT/UNESP), campus de Presidente Prudente/São Paulo, tem como objetivo geral analisar condicionantes e racionalidades que emergem das concepções declaradas pelos agentes formadores e alunos egressos de um curso intercultural, tendo em vista compreender os subsídios teórico-práticos da formação de professores dos anos finais do Ensino Fundamental, em particular de Matemática. Sabe-se que a Formação de Professores Indígenas no Brasil, a partir da década de 1980, tem se constituído em um campo fértil e rico de pesquisas devido à luta de vários setores da sociedade em prol dos direitos dos povos indígenas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo-analítico, com vista à caracterização de subsídios teórico-práticos sobre a temática da Formação de Professores Indígenas. Inicialmente desenvolvemos uma pesquisa do tipo estado do conhecimento no campo da Formação de Professores Indígenas, com o objetivo de historiar o que foi produzido em dez anos sobre a temática. O levantamento foi realizado com base nos descritores "formação de professores indígenas", "licenciatura intercultural" e "egressos indígenas" no portal de periódicos da CAPES e da base de dados BDTD entre 2009 a 2019. Em seguida, realizamos uma análise do Projeto Pedagógico de Curso (PPC) de uma Licenciatura Intercultural Indígena do estado de Mato Grosso do Sul (MS), considerada uma experiência "bem-sucedida". O curso selecionado foi a Licenciatura Intercultural Indígena "Teko Arandu" oferecido pela Faculdade Intercultural Indígena (FAIND) na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). A produção de dados foi realizada por meio de análise documental do PPC e de documentos oficiais do Ministério da Educação (MEC), além de entrevistas com a coordenação e egressos indígenas do curso, de modo a compreender as proposições e limites do Teko Arandu. Ao final, todas as informações obtidas foram cruzadas, buscando relacionar os dados e concluir a pesquisa. Os resultados do estado do conhecimento evidenciam múltiplas temáticas relacionadas a: saberes tradicionais e conhecimento escolar; Matemática; Interculturalidade; história dos povos indígenas; implementação de curso intercultural; depoimento de coordenadores, professores e egressos sobre os modos de produção e hierarquia dos conhecimentos ditos científicos sobre os conhecimentos culturais indígenas; políticas públicas acerca da Formação de Professores Indígenas; currículo intercultural com foco na realidade; relação teoria e prática e oficinas de estudo. A análise do PPC revelou que há pontos positivos acerca da valorização dos conhecimentos indígenas em consonância com o ensino da Matemática "padrão". Além disso, ao que tudo indica, o projeto é interessante para os povos indígenas do Mato Grosso do Sul, uma vez que considera as especificidades locais e baseia-se na Interculturalidade Crítica e na Etnomatemática. Nas entrevistas os egressos indígenas elogiam a proposta do curso, a metodologia dos professores universitários não indígenas e a presença dos mestres tradicionais. No entanto, dada a importância da Língua Guarani, ressaltam a necessidade da presença de professores indígenas ministrando aulas na Língua Guarani no curso Teko Arandu. Assim como a coordenadora do curso, ressaltam a presença no Teko Arandu do diálogo da universidade com a comunidade indígena, o trabalho articulado de pesquisa realizado no curso e a valorização dos conhecimentos indígenas e não indígenas permeados pela Interculturalidade e pela Etnomatemática, contribuindo para a valorização da cultura, Língua Guarani e identidade indígena. Em termos de resultados, o estudo demonstrou, pela natureza do trabalho de campo, a importância de apresentar e discutir a especificidade da Formação de Professores Indígenas, em particular para o ensino de Matemática. Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo apoio financeiro concedido para a realização desta pesquisa, sob o processo nº 2020/02308-6.
Dados da obra
- Tipo
- Dissertação (mestrado)
- Instituição
- UNESP
- Ano
- 2022
- Idioma
- pt
- Palavras-chave
- Formação inicial de professores; Formação inicial de professores indígenas; Licenciatura intercultural; Etnomatemática; Interculturalidade; Initial teacher training; Initial training of indigenous teachers; Intercultural degree; Ethnomathematics; Interculturality; Formación inicial del profesorado; Formación inicial de profesores indígenas; Grado intercultural; Etnomatemáticas; Interculturalidad
- Temas
- Currículo, Etnomatemática, Formação de Professores de Matemática
- Handle
- http://hdl.handle.net/11449/235850
- Acesso
- Texto completo na fonte
- Fontes
- BDTD/IBICT
- Na Biblioteca desde
- 01/10/2026 · verificada em 03/10/2026
Como citar
ABNT
SANTINO, Fernando Schlindwein. Formação de professores indígenas: limites e perspectivas segundo egressos de um curso de licenciatura intercultural. 2022. Dissertação (Mestrado) – UNESP, 2022. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/235850. Acesso em: 5 nov. 2026.
APA
Santino, F. S. (2022). Formação de professores indígenas: limites e perspectivas segundo egressos de um curso de licenciatura intercultural [Dissertação de mestrado, UNESP]. http://hdl.handle.net/11449/235850
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