Educação Matemática Decolonial na perspectiva de professoras/es indígenas Xukuru
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Resumo
Os povos originários das Américas, durante muitos séculos, experienciaram uma Educação segundo suas cosmovisões. Contudo, com as invasões de seus territórios, esses povos sofreram e ainda sofrem os impactos de sistemas colonialistas que objetivavam destruir seus conhecimentos, cultura e suas perspectivas de vida. No Brasil, as escolas implantadas para esses povos desde o início da colonização e durante quase todo século 20 foram usadas como uma ferramenta para a consolidação desse sistema colonial/moderno, por meio da política assimilacionista que objetivava a integração dos povos indígenas. No entanto, a partir de processos de retomada liderados pelos indígenas, foi conquistado o direito à Educação Escolar Indígena (EEI), reconhecida constitucionalmente, a qual visa efetivar processos de interculturalidade que atribuam equidade aos conhecimentos escolares e os conhecimentos dos povos indígenas. Este projeto de pesquisa, portanto, emerge da perspectiva de que a Educação Matemática, enquanto área de conhecimento escolar, necessita de um giro decolonial e, assim, incorporar discussões que questionem a visão de mundo colonial/moderna, que propõe consumir a terra como recursos naturais. Sob a perspectiva decolonial e da cosmovisão indígena, a Educação Matemática poderia atentar para outros modos de vida. O povo Xukuru do Ororubá é uma das maiores etnias do estado de Pernambuco e um dos povos mais articulados politicamente no país. Eles têm mantido e semeado sua cosmovisão, buscando a proteção de seu território/natureza, o que reflete no seu sistema de EEI, que tem, aos poucos, insurgido sobre propostas educacionais eurocêntricas. Este estudo teve por objetivo geral compreender como a Educação Matemática nas Escolas Xukuru tem se constituído a partir da sua cosmovisão indígena. O desenho metodológico teve uma abordagem qualitativa com aspectos etnográficos, que enfatizaram a necessidade de estar atento ao campo da pesquisa. Os principais instrumentos de produção de dados foram as entrevistas e as observações, com registro de áudio, escritos e fotográficos. O método para a análise dos dados foram os Ciclos de Codificação de Saldaña e para auxílio utilizamos o software Atlas.TI de tratamento de dados qualitativos. As principais considerações conclusivas deste estudo consideram que ao passo que políticas contra ou desfavoráveis à EEI Xukuru são impostas, como o Currículo de Pernambuco e o livro didático de Matemática, a Escola Xukuru resiste e ressignifica os processos educacionais, à medida que busca o fortalecimento identitário e a valorização da comunidade, onde espiritualidade, ancestralidade, natureza e território são dimensões que sustentam a formação dos Xukuru. Nesse processo, as professoras de Matemática enfrentam um trabalho duplo, além de planejarem suas aulas, precisam articular os conhecimentos/contextos indígenas com os conhecimentos matemáticos, o que desperta sentimentos de compromisso e orgulho cultural, mas também de frustração visto as limitações do sistema hegemônico, a falta de suporte do estado e a desvalorização do professor indígena. O ensino de Matemática articulado à cosmovisão Xukuru é evidenciado principalmente a partir da Matemática da Roça e das pinturas corporais. Há também espaços outros, como as eletivas e a Horta Pedagógica, que de modo interdisciplinar podem ser espaços potenciais para realizar essas articulações entre Matemática e cosmovisão Xukuru.
Dados da obra
- Tipo
- Dissertação (mestrado)
- Editora
- LA Referencia
- Instituição
- UFPE
- Programa
- Programa de Pos Graduacao em Educacao Matematica e Tecnologica
- Ano
- 2025 (2025-01-31)
- Defesa
- 31/01/2025
- Idioma
- pt
- Palavras-chave
- Povo Xukuru do Ororubá; Cosmovisão indígena; Decolonialidade; Educação Matemática; Educação Escolar Indígena; Xukuru people; indigenous education; indigenous worldview; indigenous teachers; assimilation policy; interculturality; indigenous land rights; Ororubá; Eurocentrism in education; indigenous knowledge; territoriality; indigenous political mobilization
- Temas
- Currículo, Tecnologias Digitais
- Handle
- https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/63359
- Licença
- cc-by-nc-nd
- Acesso
- Em verificação
- Fontes
- BDTD/IBICT; OpenAlex
- Na Biblioteca desde
- 01/10/2026 · verificada em 03/10/2026
Como citar
ABNT
VERÍSSIMO, T.. Educação Matemática Decolonial na perspectiva de professoras/es indígenas Xukuru. 2025. Dissertação (Mestrado em Programa de Pos Graduacao em Educacao Matematica e Tecnologica) – UFPE, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/63359. Acesso em: 5 nov. 2026.
APA
Veríssimo, T. (2025). Educação Matemática Decolonial na perspectiva de professoras/es indígenas Xukuru [Dissertação de mestrado, UFPE]. https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/63359
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