Os Moxihatëtë Thëpë e a Educação Matemática?
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Resumo
A floresta amazônica é um espaço disputado por diferentes atores, que possuem distintas formas de entendimento e relações com a floresta. Essas diferenças se tensionam, pois se de um lado, a terra e seus seres naturais são entendidos como ‘recursos’ que podem ser explorados a partir de uma lógica privada, por outro lado, para o povo Moxihatëtë thëpë da amazônia - povo Yanomami-, os seres humanos são coabitantes da terra-floresta, entendida como um ser vivo composto de incontáveis seres vivos. Os seres humanos não possuem privilégios ontológicos em relação aos demais seres. Para o Yanomami é estranha a possibilidade de se pensar o espaço/território a partir de um viés de propriedade e/ou exploração. Assim, considerando a medida emergencial e humanitária decretada para salvaguardar ao povo Yanomami, devido aos efeitos da exploração da mineração ilegal, agudizada durante os últimos quatro anos pelo desprezo do poder público, o objetivo desta escrita é ‘denunciar’ discursos colonialistas que permeiam a Educação Matemática como campo de pesquisa para ‘anunciar’, no sentido freiriano (1997), modos decoloniais de praticar a pesquisa e o ensino de matemáticas que promovam a justiça social e outras relações com a Mãe Terra. Este interesse nasce do nosso lugar como mulheres latinoamericanas, como educadoras matemáticas e formadoras de professores nos cursos de Formação Intercultural para Educadores Indígenas (UFMG), Educação do Campo (UFMG), Licenciatura em Pedagogia (UFMG/FEUSP), Licenciatura integrada em Ciências, Matemática e Linguagens (UFPA) e Licenciatura em Matemática (UFMG/FEUSP). Colocamos a crise sanitária e humanitária Yanomami no foco da Educação Matemática, por entendermos a importância do campo tomar partido pela vida, pela luta e pela resistência dos povos da floresta que sofrem até hoje com o padrão de poder instituído pela modernidade/colonialidade. Problematizamos a invisibilização dos conhecimentos sobre a floresta dos povos originários nos currículos de matemática -escolares e universitários- visto que contribui com a manutenção de políticas econômicas capitalistas que encontram fundamento na dicotomia entre humanos e outros seres da natureza. Elegemos o “Bem Viver” dos povos originários como uma política ontológica, econômica, social e educacional outra, que promove a decolonização dos modos imperialistas de ocupar a Mãe Terra e de se produzir conhecimento.
Dados da obra
- Tipo
- Artigo
- Periódico
- Prometeica - Revista de Filosofía y Ciencias, n. 27, p. 421-442
- Editora
- Universidade Federal de São Paulo
- Ano
- 2023 (2023-07-27)
- Idioma
- pt
- Palavras-chave
- Yanomami; Amazonian indigenous peoples; mathematics education; decolonial research; coloniality of power; illegal mining; indigenous knowledge; women teachers; intercultural teacher education; social justice; Mother Earth; Freirean pedagogy
- Temas
- Currículo, Educação Matemática Crítica, Formação de Professores de Matemática
- DOI
- 10.34024/prometeica.2023.27.15327
- ISSN
- 1852-9488
- Licença
- cc-by-nc
- Acesso
- Download disponível
- Fontes
- OpenAlex
- Na Biblioteca desde
- 01/10/2026 · verificada em 03/10/2026
Como citar
ABNT
SILVA, Michela Tuchapesk da; TAMAYO OSORIO, Carolina; SOUZA, Elizabeth Gomes. Os Moxihatëtë Thëpë e a Educação Matemática?. Prometeica - Revista de Filosofía y Ciencias, n. 27, p. 421-442, 2023. DOI: https://doi.org/10.34024/prometeica.2023.27.15327.
APA
Silva, M. T. d., Tamayo Osorio, C., & Souza, E. G. (2023). Os Moxihatëtë Thëpë e a Educação Matemática?. Prometeica - Revista de Filosofía y Ciencias, 421-442. https://doi.org/10.34024/prometeica.2023.27.15327
BibTeX
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