“A MATEMÁTICA ESTÁ EM TUDO”: Percepções de professores e professoras de Matemática de Pimenta Bueno (RO) sobre gênero e sexualidade e suas relações com a Educação Matemática
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Resumo
A Matemática ainda hoje é concebida como um campo naturalmente neutro, que não permite discussões envolvendo questões sociais, políticas ou econômicas. No entanto, a escola, enquanto espaço social permeado por diversidade e diferenças, muitas vezes reforça padrões de normalidade impostos pela sociedade e pelas culturas dominantes. Esses padrões acabam por evidenciar negativamente as diferenças, conduzindo à exclusão social e à reprodução de preconceitos contra grupos minorizados ou considerados “diferentes”. Ciente de que a sala de aula de Matemática não está imune a essas questões sociais, é fundamental compreender que as temáticas de gênero e sexualidade também se fazem presentes nesse contexto. Diante disso, levantamos a seguinte questão: como professores e professoras de Matemática das escolas estaduais de Pimenta Bueno (RO) percebem as questões de gênero e sexualidade, e de que forma essas temáticas se articulam com o ensino da disciplina? Esta pesquisa tem como objetivo analisar as percepções de docentes de Matemática que atuam nas escolas estaduais de Pimenta Bueno (RO) acerca de gênero e sexualidade e suas relações com a Educação Matemática. Para embasar teoricamente o estudo, recorremos a autores e autoras da área da Educação Matemática e dos Estudos de Gênero e Sexualidade. Optamos por uma abordagem qualitativa, de cunho narrativo. Os dados foram produzidos por meio de questionário, diário de campo e entrevistas individuais semiestruturadas. Participaram da pesquisa cinco docentes de Matemática da rede estadual de ensino de Pimenta Bueno (RO), além da própria pesquisadora. A análise dos dados foi realizada de forma crítico-reflexiva, a partir da organização de eixos temáticos, técnica comumente utilizada no contexto do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática (PPGEM) da Universidade Federal de Rondônia. O desenvolvimento do estudo possibilitou o contato com diversas pesquisas produzidas na última década que abordam temas relacionados à Educação Matemática, como a exclusão de grupos minorizados, as injustiças sociais, entre outros. Esse viés, denominado Educação Matemática Crítica, tem como foco a busca pela justiça social e tem fomentado debates que envolvem questões de gênero e sexualidade nas aulas da disciplina, abrindo espaço para investigações que visam romper com padrões historicamente naturalizados pela sociedade como “normais”. A partir da análise das narrativas construídas nesta pesquisa e do diálogo com os(as) autores(as) que fundamentaram as discussões, foi possível perceber que, embora as questões de gênero e sexualidade estejam presentes na constituição identitária dos(as) sujeitos(as) que compõem o ambiente escolar, os(as) professores(as) de Matemática ainda não se encontram preparados(as) para (re)conhecer essa presença. Consequentemente, não conseguem estabelecer conexões entre gênero, sexualidade e o ensino da disciplina, dificultando um trabalho pedagógico voltado para a justiça social, a emancipação humana e a promoção da equidade. Dessa forma, torna-se imprescindível que as pesquisas no campo da Educação Matemática, bem como a formação docente, se aproximem das questões sociais, incluindo gênero e sexualidade, direcionando o olhar dos(as) educadores(as) para o enfrentamento das injustiças, dos preconceitos e das exclusões sofridas por grupos minorizados, como a população LGBTQIA+. Assim, a Matemática pode ser compreendida não como uma ciência neutra e universal, mas como um campo atravessado por influências sociais, políticas e econômicas, e capaz de também influenciá-los. Enquanto não formos capazes de romper com as barreiras históricas que sustentam a ideia da Matemática como uma ciência isenta de implicações sociais, a sala de aula continuará sendo um espaço reprodutor de injustiças e preconceitos. Espera-se, portanto, que os resultados obtidos nesta pesquisa forneçam subsídios para a formulação de estratégias que promovam uma Educação Matemática mais inclusiva e equitativa, possibilitando aos(às) estudantes ler e escrever o mundo de forma crítica por meio da Matemática.
Dados da obra
- Tipo
- Dissertação (mestrado)
- Instituição
- UNIR
- Ano
- 2025
- Idioma
- pt
- Palavras-chave
- Educação Matemática Crítica; Gênero; Sexualidade; Percepções de Professores e Professoras de Matemática
- Temas
- Educação Matemática Crítica, Formação de Professores de Matemática, Inclusão, Práticas Pedagógicas
- Handle
- https://ri.unir.br/jspui/handle/123456789/6641
- Acesso
- Texto completo na fonte
- Fontes
- BDTD/IBICT
- Na Biblioteca desde
- 01/10/2026 · verificada em 03/10/2026
Como citar
ABNT
MACHADO, Ingrid Caroline da Rocha. “A MATEMÁTICA ESTÁ EM TUDO”: Percepções de professores e professoras de Matemática de Pimenta Bueno (RO) sobre gênero e sexualidade e suas relações com a Educação Matemática. 2025. Dissertação (Mestrado) – UNIR, 2025. Disponível em: https://ri.unir.br/jspui/handle/123456789/6641. Acesso em: 5 nov. 2026.
APA
Machado, I. C. d. R. (2025). “A MATEMÁTICA ESTÁ EM TUDO”: Percepções de professores e professoras de Matemática de Pimenta Bueno (RO) sobre gênero e sexualidade e suas relações com a Educação Matemática [Dissertação de mestrado, UNIR]. https://ri.unir.br/jspui/handle/123456789/6641
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- Formação de Professores de Matemática
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